Entrar
Policial denuncia colega por estupro em quartel da PM no Tocantins; defesa alega sonambulismo

Policial denuncia colega por estupro em quartel da PM no Tocantins; defesa alega sonambulismo

Caso ocorrido em 2022 ainda tramita na Justiça Militar, com investigado indiciado após inquérito da corporação.

Redação
Redação

foco em informação atualizada e de interesse público

31 de março de 2026 ·

Uma policial militar da Força Tática denunciou ter sido abusada sexualmente por um colega dentro do alojamento do quartel da Polícia Militar em Gurupi, no sul do Tocantins. O caso, ocorrido em outubro de 2022, tramita na Justiça Militar do estado há cinco anos. A defesa do militar investigado sustenta que o ato ocorreu durante um episódio de sonambulismo.

O investigado é o cabo Bruno Xavier, denunciado pela promotoria militar e réu desde fevereiro de 2025, conforme decisão do juiz José Ribamar. A Polícia Militar do Tocantins informou que instaurou um procedimento administrativo e um Inquérito Policial Militar (IPM), que opinou pelo indiciamento do cabo.

Relato da vítima e alegação de sonambulismo

Em entrevista à TV Anhanguera, a policial relatou que, durante um plantão de 24 horas, foi repousar no alojamento por volta da meia-noite. "Passou um tempo, e eu acordei com um colega deitado ao meu lado, na cama, alisando a região da minha virilha. Eu iluminei o rosto dele com o celular e o repreendi. Foi quando ele falou: 'uai' e voltou pra cama dele", contou a vítima.

O advogado de defesa, Indiano Soares, alegou que o ato não foi intencional. "Ele estava dormindo, ele tem um problema de sonambulismo detectado em laudos médicos, constatado desde quando ele era jovem. Ele não tentou esboçar qualquer ato sexual", afirmou o defensor, acrescentando que a condição teria sido comprovada em sindicância e processo administrativo.

Desestímulo à denúncia e ambiente hostil

Após o ocorrido, a vítima procurou o comandante da Força Tática, mas afirmou ter sido desestimulada a formalizar a queixa. Segundo ela, o comandante sugeriu que conversasse diretamente com o agressor e questionou a viabilidade do processo. "Foi o momento que ele me perguntou se eu queria passar a situação para frente, né? Mas ele já foi falando: 'Mas você sabe que não vai dar em nada, né?'", relatou a policial.

A situação se agravou com comentários machistas dentro do batalhão, de que mulher não deveria trabalhar na Força Tática. Isso levou a policial a pedir transferência de Gurupi por não suportar o ambiente de trabalho. Em uma reunião com a equipe para tratar do caso, a vítima se sentiu desamparada. "O comandante do batalhão repreendeu o rapaz, o rapaz me pediu desculpas. Eu não conseguia nem parar de chorar. Estava totalmente desestruturada nesse dia", descreveu.

Posicionamento institucional da PM

Em nota, a Polícia Militar do Tocantins reafirmou que adotou todas as medidas cabíveis, respeitando o devido processo legal, e que não compactua com qualquer prática de violência ou assédio. A corporação destacou a criação, em 2024, da Comissão de Implementação e Políticas em Atenção à Mulher (CIPAM) e da Ouvidoria da Mulher como mecanismos permanentes de prevenção, acolhimento e enfrentamento a situações de violência de gênero.

A PM informou que o caso está sob análise do Poder Judiciário, cabendo exclusivamente à autoridade judiciária competente a deliberação final sobre os fatos. O g1 questionou o Tribunal de Justiça sobre o andamento do processo, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

Deixe seu Comentário
0 Comentários
🍪

Cookies

Nosso site usa cookies para melhorar a experiência do usuário. Ao usar nossos serviços, vocês concorda com a nossa Política de Cookies.