Mulher é condenada por injúria racial após ofender vendedora em Araguaçu, TO
Justiça substitui prisão por serviços comunitários e multa de 1 salário mínimo; ré chamou vítima de "nega nojenta"
A Justiça do Tocantins condenou Eliete de Sousa Santos a 2 anos e 9 meses de prisão por injúria racial contra uma vendedora em Araguaçu, na região sul do estado. A decisão, proferida pela 1ª Escrivania Criminal de Araguaçu, também determinou o pagamento de R$ 5 mil por danos morais à vítima.
O crime ocorreu em fevereiro de 2023, após um desentendimento comercial. De acordo com o processo, Eliete enviou mensagens por aplicativo e publicou ofensas nas redes sociais, utilizando termos racistas como "nega nojenta".
Pena substituída por medidas alternativas
O juiz Fabiano Gonçalves Marques substituiu a prisão em regime aberto por duas medidas: prestação de serviços à comunidade e pagamento de um salário mínimo. A ré também foi condenada ao pagamento de multa. A defesa, representada pela Defensoria Pública do Estado do Tocantins (DPE-TO), pode recorrer da decisão.
Na sentença, o magistrado destacou que a injúria racial é equiparada ao crime de racismo, sendo imprescritível e inafiançável. "O Estado tem o dever de punir condutas que busquem rebaixar indivíduos à condição de subumanidade", afirmou o juiz na decisão.
Provas e contexto
As provas incluíram capturas de tela (prints) das mensagens enviadas pela acusada e depoimentos colhidos durante a audiência. O juiz ressaltou que discussões comerciais ou o "calor do momento" não justificam ofensas que busquem rebaixar uma pessoa em razão de sua cor ou raça.
O g1 entrou em contato com a DPE-TO para solicitar um posicionamento sobre a condenação, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.
Próximos passos
A defesa ainda pode recorrer da decisão. O caso segue sob análise da Justiça do Tocantins.
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