Tocantins reduz homicídios em 34,4% e tem menor taxa do Norte e Nordeste
Palmas lidera queda entre capitais brasileiras, com redução de 48,9% na taxa de assassinatos.
O Tocantins registrou uma queda de 34,4% no número de homicídios entre 2020 e 2024, alcançando a menor taxa de assassinatos por 100 mil habitantes entre os estados das regiões Norte e Nordeste. Os dados são do Atlas da Violência 2026, parceria entre o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
A capital Palmas liderou a redução entre todas as capitais brasileiras, com uma queda de 48,9% na taxa de homicídios no último ano. O assassinato de jovens entre 15 e 29 anos também recuou pela metade no estado.
Queda expressiva nos índices
De acordo com o levantamento, o Tocantins saiu de uma taxa de 31,8 homicídios por 100 mil habitantes em 2020 para 19,8 em 2024. Em números absolutos, o estado registrou 309 homicídios em 2024, uma diminuição de 26,3% em comparação a 2023, quando houve 419 registros.
Entre os municípios com mais de 100 mil habitantes, Araguaína registrou 42 homicídios estimados em 2024, com taxa de 23,1 por 100 mil habitantes. Já Palmas teve 62 casos estimados, resultando em uma taxa de 19,2.
“Os dados mostram uma redução de quase 30% na quantidade de homicídios no período analisado e colocam o Tocantins como o estado com a menor taxa de homicídios por 100 mil habitantes das regiões Norte e Nordeste, quase 15 pontos abaixo da média nacional”, afirmou a Secretaria da Segurança Pública (SSP) do Tocantins, em nota.
Análise dos fatores
Especialistas apontam que a divisão ocorrida no crime organizado na região pode ter influenciado o resultado, permitindo que o Tocantins reduzisse a violência, em contrapartida a outros estados do Norte, que registraram alta nos índices.
O levantamento também indica que, apesar da melhora, houve 53 casos de mortes sem causa definida em 2024, um aumento de 26,2% nesse tipo de registro. Isso sugere a existência de cerca de 24 homicídios que não entraram nas estatísticas oficiais como tais.
Considerando os “homicídios estimados” (cálculo que inclui mortes com causa indeterminada que possivelmente foram assassinatos), a queda em 2024 chega a 22,3%.
Recuo entre jovens e mortes por armas de fogo
O maior recuo no Tocantins foi na taxa de homicídios de jovens entre 15 e 29 anos. Em apenas um ano, o índice caiu 47,3%, passando de 55,6 para 29,3 mortes a cada 100 mil habitantes.
A redução entre os jovens foi o que mais impulsionou a queda geral da violência no estado. Segundo o Atlas da Violência, o resultado sugere que as políticas de prevenção foram eficazes ou que houve uma mudança no comportamento de grupos criminosos que costumam atingir essa faixa etária.
O Tocantins também registrou uma queda de 39,6% nas mortes por armas de fogo em apenas um ano, uma das maiores reduções do país. Em 2024, as armas foram usadas em menos da metade dos assassinatos (49,8%), um dos índices mais baixos do Brasil.
Alta nas mortes no trânsito
Na contramão da criminalidade, as mortes no trânsito no Tocantins subiram 33,7% desde 2020. O número de óbitos saltou de 457 para 611 em 2024. Segundo o relatório, a alta pode ter sido causada pela volta das atividades econômicas após a pandemia e pelo aumento do uso de motocicletas.
As informações do Atlas da Violência são baseadas no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e no Sinan, do Ministério da Saúde. A metodologia utiliza uma técnica de reclassificação de Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI) para estimar os “homicídios ocultos”.
Leia a íntegra da nota da Secretaria de Segurança Pública do Tocantins:
“A respeito dos dados do Atlas da Violência, o próprio documento destacou o enorme sucesso do Tocantins na redução da criminalidade violenta. Os dados mostram uma redução de quase 30% na quantidade de homicídios no período analisado e colocam o Tocantins como o estado com a menor taxa de homicídios por 100 mil habitantes das regiões Norte e Nordeste, quase 15 pontos abaixo da média nacional. Estes números são reflexo das políticas de segurança pública bem sucedidas aplicadas em nosso estado.”
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