Theatro e cinema de Palmas fechados há anos impactam acesso à cultura na capital
Artistas enfrentam custos elevados e público fica sem opções culturais enquanto espaços públicos permanecem inacessíveis.
Dois dos principais espaços culturais de Palmas estão fechados e sem data para reabertura. O Theatro Fernanda Montenegro está em reforma há seis anos, enquanto o Cine Cultura, referência na exibição de filmes nacionais e produções de cunho artístico, está sem programação desde maio de 2025.
Sem o espaço para os espetáculos, artistas precisam se adaptar e o custo da produção aumenta, sobrecarregando o único teatro em funcionamento na capital, que é privado. Tanto os artistas como o público aguardam a abertura dos espaços que são essenciais para a difusão de arte na capital.
Impacto direto na produção artística
O diretor do Grupo Cenaberta e presidente da Federação Tocantinense de Artes Cênicas, Kaká Nogueira, dirigiu o último espetáculo aberto ao público no Theatro Fernanda Montenegro: a comédia "Drácula", exibida em março de 2020. Ele explica que a falta de um espaço adequado força adaptações que encarecem as produções.
"Ter o Theatro Fernanda Montenegro fechado por seis anos é algo impensável para quem produz cultura em Palmas e no Tocantins. Mais do que um símbolo cultural negativo, seu fechamento impede que grupos profissionais montem e apresentem espetáculos qualificados para o grande público", disse Nogueira ao g1.
Histórico e situação atual do Theatro
O Theatro Fernanda Montenegro foi inaugurado no dia 30 de junho de 2000, com espaço para 530 lugares. Em 2020, as atividades foram paralisadas pela pandemia da Covid-19, seguindo fechado nos anos seguintes após anúncio de reformas para corrigir problemas de infiltração e rachaduras.
Em 2023, a prefeitura assinou a ordem de serviço, mas as obras ainda não foram finalizadas. A presidente da Fundação Cultural de Palmas, Luara Aquino, informou que a empresa Cineplast fez a análise do local e foi assinada a ordem para a produção dos projetos arquitetônicos, que incluem climatização, acessibilidade e modernização do palco.
Aquino afirmou que ainda não há previsão de reabertura e que, devido ao tempo em que o local ficou fechado, muitos equipamentos ficaram desgastados. "Já está dada a ordem de serviço, então essas coisas já estão em andamento", disse.
Cine Cultura também sem previsão
O Cine Cultura está há quase um ano sem exibir filmes, sendo a última programação divulgada em maio de 2025. O espaço é uma alternativa para exibição de filmes com cunho cultural e artístico que não vão para os cinemas comerciais.
Segundo a presidente da Fundação Cultural, o local passou por reforma para resolver infiltrações, trocar condicionadores de ar e higienizar cadeiras. A reabertura depende da aquisição de um novo projetor, que custa aproximadamente R$ 500 mil, com recursos da prefeitura e da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB).
Repercussão entre os artistas
O ator e diretor de cinema Nival Correia destacou a importância histórica do Theatro Fernanda Montenegro. "Eu já vi plateias se emocionarem, se reconhecerem e se transformarem ali dentro. Esse contato direto com a arte é fundamental para a formação crítica e sensível de uma cidade, especialmente uma capital jovem como Palmas", afirmou.
Correia relembrou que grandes nomes do teatro nacional, como Fernanda Montenegro, Paulo Autran e Bibi Ferreira, já se apresentaram no local, que também consagrou artistas tocantinenses.
🔎 Você sabia? A Constituição Federal garante que todos tenham acesso às fontes da cultura nacional e expressão dos direitos culturais. Conforme o documento, o Estado deve proteger as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras, além de fomentar a produção, difusão e circulação de conhecimento e bens culturais.
Próximos passos e modernização
A Fundação Cultural de Palmas já testou um aplicativo que será destinado à compra de ingressos e alimentos do Cine Cultura, mas o programa ainda não foi lançado. A iniciativa busca modernizar e facilitar o acesso do público aos espaços culturais da cidade.
Enquanto isso, artistas e frequentadores aguardam a reabertura dos dois equipamentos, essenciais para a cena cultural da capital tocantinense.
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