Dólar fecha abaixo de R$ 4,90 pela 1ª vez em mais de dois anos
Moeda americana encerra o dia cotada a R$ 4,89, menor valor desde 2023, impulsionada por fluxo externo e sinalizações do Banco Central.
O dólar comercial fechou esta sexta-feira (8) cotado a R$ 4,89, uma queda de 1,2% no dia. É a primeira vez desde maio de 2023 que a moeda americana encerra abaixo dos R$ 4,90 no Brasil.
A desvalorização ocorre em meio a um cenário de alívio no mercado internacional, com a sinalização de uma trégua na guerra entre Rússia e Ucrânia e a expectativa de cortes de juros nos Estados Unidos.
Fatores que impulsionaram a queda
O movimento de baixa foi puxado por dois fatores principais. O primeiro é o anúncio do presidente dos EUA, Donald Trump, de uma trégua de três dias no conflito entre Rússia e Ucrânia, o que reduziu a aversão a risco global e beneficiou moedas de países emergentes, como o real.
O segundo é a sinalização do Banco Central do Brasil (BC) de que pode intensificar as intervenções no mercado cambial, caso necessário, para conter a volatilidade. Na véspera, o BC já havia realizado leilões de linha para segurar a cotação.
"A combinação de um cenário externo mais favorável com a atuação firme do BC gerou um ambiente propício para a queda do dólar", afirma o economista-chefe da XP Investimentos, Caio Megale. "O mercado também precifica um fluxo maior de capital estrangeiro para o Brasil."
Impacto na economia e no dia a dia
Para o consumidor, a desvalorização do dólar tende a aliviar a pressão sobre os preços de produtos importados, como eletrônicos e combustíveis, e pode contribuir para a desaceleração da inflação. Em contrapartida, prejudica as exportações brasileiras, que se tornam menos competitivas no exterior.
O movimento também reflete a percepção de que o governo Lula busca uma relação mais pragmática com os EUA. Na quinta-feira (7), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ter dito a Trump: "Eu não quero guerra com você", em uma tentativa de evitar tarifas comerciais.
Especialistas, no entanto, alertam que a queda pode ser pontual. "O cenário fiscal brasileiro ainda preocupa. Se não houver avanço nas reformas, o dólar pode voltar a subir", pondera o analista da consultoria Tendências, Alexandre Espírito Santo.
Contexto histórico e próximos passos
Desde o início do governo Lula, em janeiro de 2023, o dólar acumula uma desvalorização de cerca de 12% frente ao real. A moeda americana chegou a bater R$ 5,45 em março de 2025, no auge das incertezas fiscais.
Para a próxima semana, o mercado monitora a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e os dados de inflação nos EUA, que podem influenciar a decisão do Federal Reserve sobre os juros americanos.
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