Serviço de imigração americano prende Ramagem nos EUA, diz Polícia Federal
Agentes descobriram endereço do ex-diretor da Abin após rastrear veículo usado para buscar sua esposa no aeroporto.
O ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, foi preso nos Estados Unidos pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE, na sigla em inglês), conforme informou a Polícia Federal (PF) na segunda-feira (13). A prisão ocorreu na Flórida, onde Ramagem reside em uma casa avaliada em R$ 4,4 milhões com vista para um lago e cinco quartos.
A descoberta do endereço do ex-diretor, que é alvo de operações da PF no Brasil, partiu do rastreamento de um carro usado para buscar sua esposa em um aeroporto. A informação foi crucial para que as autoridades americanas localizassem e detivessem Ramagem.
Contexto das investigações no Brasil
Alexandre Ramagem, que comandou a Abin durante o governo de Jair Bolsonaro, é investigado no âmbito da Operação Venire, da Polícia Federal, que apura supostos crimes de espionagem política e uso ilegal do sistema de geolocalização da Abin. A PF suspeita que o aparato da agência foi utilizado para monitorar autoridades como ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e adversários políticos do então presidente.
Em abril de 2024, a Justiça do Distrito Federal determinou a prisão preventiva de Ramagem, mas ele não foi localizado pelas autoridades brasileiras na época. A PF mantém cooperação com agências internacionais para rastrear foragidos.
Repercussão política e próximos passos
A prisão nos EUA ocorre em um momento de tensões políticas envolvendo o ex-presidente Donald Trump. Recentemente, um juiz americano rejeitou uma ação de Trump que pedia US$ 10 bilhões por uma reportagem sobre sua ligação com o financiador Jeffrey Epstein. Separadamente, Trump chamou o Papa Francisco de "fraco" em declarações públicas, provocando uma reação do pontífice, que afirmou "não tenho medo".
O caso de Ramagem agora segue para as vias de extradição. O Brasil deve formalizar o pedido junto ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos, processo que pode ser longo e dependerá de uma análise jurídica sobre a validade dos crimes alegados e do tratado bilateral entre os países.
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