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Serra da Cangalha: cratera de meteorito de 20 mil toneladas completa 300 milhões de anos
Segurança Pública

Serra da Cangalha: cratera de meteorito de 20 mil toneladas completa 300 milhões de anos

Estudos apontam que o meteorito não tocou o solo; a cratera foi moldada pela liberação de energia da explosão.

Redação
Redação

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8 de julho de 2026 ·

Escondida no norte do Tocantins, no município de Campos Lindos, a Serra da Cangalha guarda os registros de um evento cataclísmico ocorrido há cerca de 300 milhões de anos. O impacto provocado pela queda de um meteorito de aproximadamente 20 mil toneladas formou a quarta maior cratera de impacto do Brasil.

O que torna o local ainda mais curioso é que, segundo estudos geológicos, o meteorito nem chegou a tocar o solo. A cratera foi moldada pela colossal liberação de energia gerada durante a explosão.

Como a cratera se formou

A força foi tão intensa que criou anéis concêntricos no relevo, visíveis até hoje em imagens de satélite, como as ondas formadas quando uma pedra é lançada em um rio. O nome popular "Cangalha" surgiu da observação dos moradores da região: vista de lado, a formação da serra lembra uma sela de cavalo, também conhecida como cangalha.

A estrutura foi identificada na década de 1970 pelo Projeto Radam Brasil, mas inicialmente foi classificada apenas como um domo. Somente após análises de rochas deformadas, pesquisadores confirmaram que se tratava de uma cratera de impacto.

Potencial para geoturismo

Hoje, a Serra da Cangalha é considerada um monumento geológico com grande potencial para o geoturismo. Em 2012, o Iphan chegou a estudar a transformação da área em patrimônio nacional, mas o processo não avançou.

Segundo o prefeito Romeu Kalugin (Republicanos), o local é uma das poucas crateras de impacto dessa dimensão no planeta que permanecem 100% preservadas pela natureza. "A única totalmente preservada pela natureza é a nossa. Ela mantém o local exato do impacto do meteorito, algo que desperta curiosidade por onde é apresentada", afirmou.

O prefeito também afirmou que a gestão municipal atua em parceria com os proprietários das áreas para facilitar o acesso ao local e incentivar projetos que atraiam turistas para o interior da cratera. "A meta é colocar Campos Lindos na rota definitiva de quem visita o Tocantins em busca de mistério, ciência e paisagens que não existem em nenhum outro lugar do país", ressaltou.

A Serra da Cangalha oferece a prática do geoturismo, permitindo que os visitantes percorram trilhas e conheçam de perto o fenômeno que moldou a paisagem há milhões de anos. Atualmente, a região atrai turistas interessados em trilhas, cachoeiras e experiências únicas.

Contexto histórico e científico

A queda do meteorito, há aproximadamente 300 milhões de anos, ocorreu durante o período Carbonífero, quando a região era coberta por florestas tropicais. A energia liberada foi estimada em cerca de 1.000 megatons, equivalente a dezenas de bombas nucleares.

Estudos geológicos apontam que o meteorito, com diâmetro estimado entre 50 e 100 metros, explodiu antes de tocar o solo, criando uma cratera de impacto com cerca de 12 km de diâmetro. As rochas deformadas encontradas na região, como os "shock quartz", são evidências da força do impacto.

Próximos passos e consequências

A prefeitura de Campos Lindos planeja desenvolver projetos de infraestrutura turística e sinalização para tornar o local mais acessível. A expectativa é que a Serra da Cangalha se torne um destino obrigatório para geólogos, paleontólogos e turistas interessados em fenômenos naturais raros.

O Iphan, embora não tenha avançado com o processo de tombamento em 2012, mantém o local sob monitoramento. A comunidade científica continua a estudar a cratera para entender melhor os processos de impacto e suas implicações para a geologia do Brasil.

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