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Senado argentino aprova redução da maioridade penal de 16 para 14 anos

Senado argentino aprova redução da maioridade penal de 16 para 14 anos

Medida, considerada vitória do presidente Javier Milei, altera o Código Penal do país após intenso debate parlamentar.

Redação
Redação

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28 de fevereiro de 2026 ·

O Senado da Argentina aprovou, nesta sexta-feira (27), a redução da maioridade penal de 16 para 14 anos. A medida, uma das bandeiras do governo do presidente Javier Milei, foi aprovada por 37 votos a favor e 31 contra, após mais de 12 horas de debate.

A mudança no Código Penal argentino permite que adolescentes a partir de 14 anos possam ser processados e condenados como adultos por crimes considerados graves, como homicídio doloso, estupro e roubo qualificado. Antes da reforma, a imputabilidade começava aos 16 anos.

Vitória para a agenda de Milei

A aprovação no Senado é vista como uma vitória significativa para o presidente Javier Milei e seu partido, La Libertad Avanza, que defendem políticas de "tolerância zero" contra a criminalidade. O projeto já havia sido aprovado pela Câmara dos Deputados no mês passado.

Durante o acalorado debate, o ministro da Justiça, Mariano Cúneo Libarona, defendeu a medida. "Não podemos continuar permitindo que menores de idade cometam crimes hediondos sem enfrentar as consequências. Esta lei é um passo necessário para a segurança das famílias argentinas", afirmou.

Críticas e preocupações

Opositores e organizações de direitos humanos criticaram veementemente a decisão. Parlamentares da oposição argumentaram que a medida criminaliza a pobreza e a juventude, e que o Estado deveria focar em políticas socioeducativas.

"Estamos retrocedendo décadas em matéria de direitos da infância. A solução não é colocar crianças de 14 anos no sistema penitenciário adulto, que é uma escola do crime", declarou a senadora opositora Juliana Di Tullio, durante a sessão.

O Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) já havia se manifestado contra o projeto, alertando que a medida viola a Convenção sobre os Direitos da Criança, da qual a Argentina é signatária, e que a evidência internacional mostra que a redução da maioridade penal não reduz a criminalidade.

Próximos passos e implementação

A lei será promulgada pelo Poder Executivo nos próximos dias e entrará em vigor após sua publicação no Diário Oficial. Especialistas em direito penal apontam que a implementação exigirá adaptações no sistema judiciário e penitenciário para receber os adolescentes condenados.

A medida ocorre em um contexto de debate sobre segurança pública na Argentina, onde pesquisas de opinião mostram a criminalidade como uma das principais preocupações da população. O governo de Milei defende um pacote mais amplo de reformas na área de segurança, que inclui ainda penas mais duras e restrições a benefícios para presos.

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