Secretária de Saúde de Palmas e superintendente são presos por fraude de R$ 139 milhões em UPAs
Investigação aponta direcionamento de contrato com Santa Casa de Itatiba e uso de BMW de luxo como propina.
A Polícia Civil prendeu nesta quarta-feira (10) a secretária de Saúde de Palmas, Dhieine Caminski, e o superintendente de Atenção à Saúde, Andreis Vicente da Costa, durante nova fase da Operação Falsa Emergência. Eles são suspeitos de envolvimento em um esquema de corrupção que desviou R$ 139 milhões da terceirização das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da capital.
A empresária Cláudia Fernanda Cândido da Silva, apontada como lobista do esquema, também teve a prisão decretada e é procurada pela polícia. O centro da investigação é a parceria entre a Prefeitura de Palmas e a Organização da Sociedade Civil (OSC) Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Itatiba, que gerencia as UPAs Norte e Sul da cidade.
Investigação aponta contrato “fabricado”
Segundo a Divisão Especializada de Repressão à Corrupção (Decor) e o Ministério Público do Tocantins (MPTO), o processo administrativo que resultou na contratação da OSC teria sido “fabricado” para dar aparência de legalidade a uma escolha já definida em reuniões secretas. Há suspeitas de que documentos foram produzidos com datas retroativas para justificar a dispensa de licitação.
“Os documentos não foram localizados nos sistemas digitais oficiais da Secretaria Municipal de Saúde no período em que deveriam ter sido produzidos”, afirmou a decisão judicial da 1ª Vara Regional das Garantias. A investigação apura os crimes de direcionamento de contratação, falsidade ideológica e corrupção passiva e ativa.
BMW de luxo como propina
Um dos principais indícios do esquema é o aluguel de uma BMW de luxo, ao custo mensal de R$ 9,5 mil, contratado pela empresária Cláudia Fernanda um dia antes da assinatura da dispensa de licitação. O veículo, avaliado em mais de R$ 228 mil ao longo do período de locação, era utilizado com frequência pelo superintendente Andreis Vicente da Costa.
Para os investigadores, o uso do carro de luxo é incompatível com o salário do servidor e teria funcionado como uma forma indireta de pagamento de vantagem indevida. A Santa Casa de Misericórdia de Itatiba informou que não está sendo investigada e negou que Cláudia Fernanda seja sua representante.
Prisão preventiva e tentativa de coagir testemunhas
A prisão preventiva de Dhieine Caminski foi baseada, entre outros fatores, na suspeita de que ela monitorava e tentava influenciar o depoimento de subordinados à Polícia Civil. A decisão judicial considerou a medida necessária para garantir a conveniência da instrução criminal e evitar a coação de testemunhas.
A defesa da ex-secretária classificou a prisão como “desproporcional e desnecessária” e informou que levará o caso ao Judiciário. O advogado de Andreis Vicente da Costa solicitou acesso aos autos para se manifestar, enquanto a defesa de Cláudia Fernanda afirmou que ela se apresentará à polícia após retornar de viagem.
Contrato continua ativo para evitar colapso na saúde
Apesar das prisões e das investigações, o contrato de terceirização das UPAs continua vigente. Em maio de 2026, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que a suspensão imediata do contrato poderia causar “desassistência” ou instabilidade no atendimento de urgência da capital. O mérito sobre a legalidade da parceria ainda tramita na Justiça Estadual do Tocantins.
Servidores da Secretaria de Saúde relataram ter sido pressionados a assinar pareceres técnicos favoráveis à terceirização, muitos sem ter acesso ao plano de trabalho da entidade. A Prefeitura de Palmas informou que as ações da Secretaria de Saúde seguem normalmente e que o atendimento nas UPAs não foi interrompido. Os presos serão conduzidos ao Batalhão do Comando Geral da Polícia Militar até a audiência de custódia.
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