Polícia mira desvios de R$ 845 milhões de herança de fundador da Unip
Investigação aponta suspeitas de fraude e ocultação de bens no processo de partilha do patrimônio do empresário João Carlos Di Gênio.
A Polícia Civil de São Paulo investiga um suposto esquema de desvio que pode ter subtraído cerca de R$ 845 milhões da herança deixada por João Carlos Di Gênio, fundador da Universidade Paulista (Unip), que morreu em 2020. A operação, deflagrada nesta terça-feira (31), mira suspeitas de fraude, ocultação de bens e formação de quadrilha no processo de inventário e partilha do patrimônio do empresário.
De acordo com as investigações, os indícios apontam para a movimentação de valores e a transferência irregular de ativos, incluindo propriedades e participações societárias, que deveriam compor o espólio a ser dividido entre os herdeiros legítimos. A força-tarefa formada pela Delegacia de Defraudações (DDE) cumpre mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados na capital paulista.
Patrimônio em jogo e suspeitas
João Carlos Di Gênio, morto aos 83 anos, foi um dos principais nomes do setor educacional privado do país. Ele fundou a Unip em 1988 e construiu um império que, à época de sua morte, incluía a rede de universidades, imóveis e outros investimentos. O valor total da herança, estimado em bilhões, tornou o processo de inventário complexo e alvo de disputas judiciais.
“As investigações revelam uma sofisticada trama para desviar recursos e esconder a real dimensão do patrimônio, prejudicando os demais herdeiros e credores”, afirmou o delegado responsável pelo caso, que não teve o nome divulgado por determinação da Justiça. Os R$ 845 milhões em questão correspondem a um primeiro montante identificado, mas o valor final pode ser ainda maior, conforme avançam as perícias contábeis.
Próximos passos da investigação
A polícia coleta documentos, extratos bancários e contratos para consolidar a prova material do suposto esquema. Os investigados, cujos nomes também foram mantidos em sigilo pela autoridade policial, podem responder pelos crimes de estelionato, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro, além dos já citados.
O caso segue sob segredo de Justiça. A expectativa das autoridades é que, com a conclusão das análises, seja formalizado um relatório ao Ministério Público para a propositura de ação criminal. Enquanto isso, a partilha civil do espólio de Di Gênio permanece tramitando na Vara de Família e Sucessões de São Paulo.
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