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PMs e agente penitenciário são presos por cobrança violenta de dívida de agiota no TO
Segurança Pública

PMs e agente penitenciário são presos por cobrança violenta de dívida de agiota no TO

Grupo é suspeito de usar 'terror psicológico' e armas para coagir idosa e filho a pagar dívida de R$ 126 mil em Palmas.

Redação
Redação

foco em informação atualizada e de interesse público

24 de abril de 2026 ·

Dois policiais militares, um funcionário do sistema prisional e um agiota foram presos pela Polícia Civil do Tocantins na manhã desta sexta-feira (24). Eles são suspeitos de integrar uma associação criminosa armada que cobrava dívidas ilegais com truculência e 'terror psicológico' contra uma idosa de 65 anos e o filho dela, de 45 anos.

O caso ocorreu em Palmas, em fevereiro de 2026. A investigação, conduzida pela Divisão Especializada de Investigações Criminais (DEIC), aponta que os suspeitos usavam armas de fogo e o prestígio dos cargos públicos para intimidar as vítimas e forçar o pagamento de dívidas contraídas com o agiota.

Como era a cobrança ilegal

Segundo a polícia, a mulher relatou que os três homens chegaram armados ao mercado que o filho tinha na região sul de Palmas. Em determinado momento, um dos policiais militares levantou a roupa para mostrar a arma de fogo na cintura, na tentativa de intimidar a vítima. Depois, os agentes teriam permanecido posicionados estrategicamente na porta do estabelecimento, com as mãos sobre o armamento, proferindo insultos e xingamentos.

Entre as ameaças, foram proferidas falas como: "ou nós toma esse açogue ou as coisas vão ficar pior" e que o problema seria resolvido "de um jeito ou de outro". Conforme o relatório policial, a vítima entrou em pânico.

A investigação também teve acesso a diálogos que mostram que o grupo utilizou 'terror psicológico' para amedrontar as vítimas, mencionando a existência de um "grupo de cobrança de fora" que teria "recebido a conta".

Dívida que começou em Guaraí

A dívida teve início em Guaraí, na região centro-norte do estado, onde o empresário contraiu empréstimo com um dos investigados, um homem de 52 anos. Com a cobrança de juros mensais elevados, que chegaram a R$ 4 mil, o valor aumentou e se tornou impossível de quitar.

O grupo cobrava duas dívidas: uma de R$ 104 mil e outra de mais de R$ 126 mil. A primeira, segundo a vítima, havia sido quitada em 2024, mas o agiota seguiu fazendo cobranças.

No dia 2 de março de 2026, o grupo retornou ao mercado para cobrar a dívida novamente, ocasião em que a mãe e o filho empresário se viram obrigados a encerrar as atividades comerciais da família e a se mudarem.

Investigação aponta simulação de ocorrência

A Polícia Civil apurou que um dos investigados chegou a simular o registro de uma ocorrência para pressionar o pagamento. Conforme a Secretaria da Segurança Pública (SSP), as investigações seguem em andamento para identificação de outros possíveis envolvidos.

Os quatro suspeitos foram presos preventivamente e são investigados por associação criminosa armada, usura pecuniária e extorsão qualificada.

Reação das instituições

A defesa dos quatro suspeitos informou que vai se manifestar após ter acesso aos autos. "Como se trata de processo de investigação sigilosa, qualquer comentário acerca dos fatos que ensejaram as prisões é prematuro nesse momento processual", informou o advogado Vinícius Moreira.

A Polícia Militar disse que abriu procedimentos administrativos para apurar as denúncias e reforçou que mantém tolerância zero com desvios de conduta. Segundo a corporação, os dois policiais militares citados foram afastados das funções e tiveram o armamento recolhido por determinação da Justiça.

A Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju) afirmou que não compactua com qualquer desvio de conduta e que já formalizou o pedido de extinção imediata do contrato de prestação de serviço do envolvido.

As investigações seguem em andamento para apurar a participação de outros possíveis envolvidos no esquema criminoso.

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