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Pai e madrasta são presos suspeitos de matar menino de 3 anos no Tocantins
Segurança Pública

Pai e madrasta são presos suspeitos de matar menino de 3 anos no Tocantins

Criança morreu com hemorragia interna e laceração intestinal; casal responderá por homicídio qualificado e tortura.

Redação
Redação

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8 de agosto de 2026 ·

O advogado Igor Gustavo Veloso de Sousa, de 33 anos, e a companheira dele, Kathellen Moreira da Silva, de 27 anos, foram presos suspeitos de matar Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, no último domingo (2), em Palmas, no Tocantins. A criança morreu na casa do pai, onde passava o fim de semana.

O laudo pericial, ao qual o g1 teve acesso, aponta que Gustavo sofreu hemorragia interna, apresentava marcas de agressões no rosto e laceração intestinal. A polícia investiga o caso como homicídio duplamente qualificado e tortura.

Gravidez marcada por conflitos

Em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (6), o delegado da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Eduardo Menezes, informou que a gravidez da mãe de Gustavo, Sabrina da Silva Feitosa, foi marcada por conflitos com o pai da criança. Os pais do menino viviam uma disputa judicial, e a morte ocorreu durante uma visita.

"A oitiva da mãe foi um dos momentos mais marcantes e difíceis da investigação", afirmou o delegado. "Ela descreveu que a relação com o investigado foi conturbada desde o período gestacional."

Vídeos mostram comportamento atípico

A polícia analisa imagens gravadas pela mãe nos meses que antecederam o crime. Segundo Eduardo Menezes, os vídeos mostram situações que chamaram a atenção dos investigadores, incluindo registros em que o menino aparece com comportamento considerado atípico para a idade logo após retornar da casa do pai.

Em entrevista à TV Anhanguera, a mãe contou que o filho ia visitar o pai e voltava para casa com hematomas. Em um vídeo, o menino chora ao recusar ir para a casa de Igor.

"Mostrei as fotos e ele falava que o menino tinha caído. Ele tinha todo um argumento dele. Mandei o vídeo para ele, falando que não era certo, porque o meu filho estava daquele jeito. Não é certo. Toda vez que ele [filho] vê ou escuta a voz, ele fica com medo e agora ele está falando que ele [o pai] bate nele. Ele [pai] falou: 'De novo essa história'", disse Sabrina.

Contexto de violência extrema

O diretor do Instituto Médico Legal (IML), Eduardo Godinho, comentou que o estado em que a criança chegou ao IML é incomum. "Muita violência. Sinais de violência pela face, pelo intestino, internamente. Isso não é comum nos dias de hoje. Até agora, primeiro exame não tem indício nenhum de afogamento. Ali realmente foi outro tipo de trauma que levou à causa da morte", afirmou.

O delegado afirmou que os elementos reunidos evidenciam que as graves lesões encontradas na região anal e intestinal da criança ocorreram em um contexto de violência extrema e foram usadas como instrumento de tortura.

"Se no laudo cadavérico houvesse apenas as lesões anais e intestinais, nós estaríamos diante de um crime de estupro seguido de morte. Como há, somado a essas lesões, lesões na cabeça e hemorragia interna, a gente afastou inicialmente a ocorrência de uma relação sexual", explicou.

Defesas se manifestam

A defesa de Igor Gustavo afirmou que ele colaborou com as autoridades desde o início, colocando-se à disposição e combinando previamente sua entrega após o mandado de prisão. A defesa ressalta que não houve captura após buscas, mas sim cumprimento acordado da ordem judicial, e informa que não comentará detalhes do caso devido ao sigilo das investigações.

Já a defesa de Kathellen Moreira informou que recebeu com surpresa a decisão que decretou a prisão preventiva da investigada e afirmou que o pedido não considerou que ela é mãe de uma bebê de cinco meses, que ainda está em fase de amamentação. Segundo a nota, será feito o pedido de substituição da prisão preventiva por medidas cautelares menos severas ou por prisão domiciliar.

Os advogados de Sabrina informaram que ela não poderia privar a criança da convivência com o pai para não caracterizar alienação parental. Ela movia uma ação na Justiça cobrando o pagamento de pensão.

"Ela já havia me reportado diversas situações em que a criança chegava machucada das visitas. No entanto, o medo e o temor dela pela própria vida e pela vida do filho, da família, em relação a ele, em virtude das ameaças, impedia ela de nos permitir que tomássemos providências mais drásticas em relação a isso no momento", disse a advogada Stella Bueno.

Próximos passos

Igor e Kathellen vão responder por homicídio duplamente qualificado e tortura. A polícia continua analisando as imagens gravadas pela mãe e outros elementos que integram o inquérito. A defesa de Kathellen adiantou que adotará medidas judiciais para revisar a prisão preventiva, considerando a situação da filha lactente.

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