Entrar
Pai e madrasta são presos por morte de menino de 3 anos no Tocantins
Segurança Pública

Pai e madrasta são presos por morte de menino de 3 anos no Tocantins

Criança apresentava lesões múltiplas, hemorragia interna e laceração intestinal, diz laudo. Histórico de agressões começou em 2024, segundo a mãe.

Redação
Redação

foco em informação atualizada e de interesse público

7 de agosto de 2026 ·

O advogado Igor Gustavo Veloso de Souza e a companheira dele, Kathellen Moreira da Silva, foram presos preventivamente nesta quinta-feira (6) no Tocantins. Eles são investigados pelo homicídio duplamente qualificado e tortura de Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, enteado e filho da mulher, respectivamente. A criança morreu no domingo (2), mas o pai só comunicou o óbito na tarde de segunda-feira (3), segundo a polícia.

O laudo pericial ao qual o g1 teve acesso indica que a morte ocorreu com "crueldade, insensibilidade, indiferença e multiplicidade de lesões". A vítima sofreu hemorragia interna, tinha marcas de agressões no rosto e laceração intestinal. O diretor do Instituto Médico Legal (IML), Eduardo Godinho, classificou o estado do corpo como incomum: "Muita violência. Sinais de violência pela face, pelo intestino, internamente. Isso não é comum nos dias de hoje".

Histórico de violência desde 2024

De acordo com o delegado Eduardo Menezes, o histórico de agressões começou a ser reconstruído a partir do depoimento da mãe, Sabrina da Silva Feitosa, ouvida horas após a descoberta do crime. Ela relatou que o menino voltava das visitas ao pai com hematomas e arranhões desde 2024. Vídeos gravados pela mãe mostram a criança "nitidamente dopada" após retornar da casa de Igor, além de registros em que o menino chora ao recusar ir para o local.

A mãe e o pai não moravam juntos e viviam disputas judiciais. Sabrina havia denunciado o ex-companheiro por ameaça quando Gustavo tinha apenas oito meses de vida. A advogada da mãe, Stella Bueno, afirmou que a cliente relatava as lesões, mas tinha medo de tomar providências mais drásticas devido a ameaças: "O medo e o temor dela pela própria vida e pela vida do filho, da família, em relação a ele, em virtude das ameaças, impedia ela de nos permitir que tomássemos providências mais drásticas".

Investigação e suspeitas

O delegado afirmou que as lesões na região anal e intestinal da criança ocorreram em um contexto de violência extrema e foram usadas como instrumento de tortura. A suspeita de violência sexual não foi descartada, mas a tipificação inicial afastou o estupro seguido de morte: "Se no laudo cadavérico houvesse apenas as lesões anais e intestinais, nós estaríamos diante de um crime de estupro seguido de morte. Como há, somado a essas lesões, lesões na cabeça e hemorragia interna, a gente afastou inicialmente a ocorrência de uma relação sexual", explicou Menezes.

O exame inicial não encontrou indícios de afogamento, versão apresentada pelo pai. A polícia analisa imagens e documentos que integram o inquérito. O caso segue sob sigilo, e novas perícias podem alterar a tipificação dos crimes.

Defesas dos investigados

A defesa de Igor Gustavo afirmou que ele se entregou voluntariamente, combinando previamente o cumprimento do mandado com a autoridade policial. A nota ressalta que não houve captura após buscas e que ele colaborou desde o início. A defesa não comentará detalhes do caso devido ao sigilo.

Já a defesa de Kathellen Moreira informou que recebeu "com profundo estarrecimento" a prisão, destacando que ela é mãe de uma bebê de cinco meses, ainda em fase de amamentação. A equipe jurídica pedirá a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares menos severas ou por prisão domiciliar, para conciliar a investigação com os cuidados da filha.

Próximos passos

Os presos permanecem à disposição da Justiça. A polícia continua as investigações, incluindo a análise de novas perícias. A mãe do menino, que não pode privar a criança da convivência com o pai para evitar alienação parental, movia ação de pensão alimentícia contra Igor. O caso é acompanhado pelo Ministério Público e pelo Poder Judiciário do Tocantins.

Nota da defesa de Igor Gustavo Veloso de Sousa: "Assim que tomou conhecimento do pedido de prisão preventiva, colocou-se imediatamente à disposição da autoridade policial... não se tratou de localização ou captura realizada após buscas policiais, mas de entrega voluntária previamente acordada."

Nota da defesa de Kathellen Moreira da Silva: "Causa especial preocupação o fato de não constar da decisão qualquer consideração sobre uma circunstância pessoal de extrema relevância: Kathellen é mãe e amamenta uma bebê de apenas cinco meses... será feito o pedido de substituição da prisão preventiva por cautelares menos gravosas ou, subsidiariamente, por prisão domiciliar."

Deixe seu Comentário
0 Comentários
🍪

Cookies

Nosso site usa cookies para melhorar a experiência do usuário. Ao usar nossos serviços, vocês concorda com a nossa Política de Cookies.