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Operação Jogue Limpo indica 10 por desvio total de verba de projeto social em Palmas
Segurança Pública

Operação Jogue Limpo indica 10 por desvio total de verba de projeto social em Palmas

Investigação aponta que R$ 349 mil foram desviados no mesmo dia do repasse para instituto que nunca executou atividades.

Redação
Redação

foco em informação atualizada e de interesse público

27 de fevereiro de 2026 ·

A Polícia Civil do Tocantins indiciou dez pessoas suspeitas de desviar integralmente R$ 349 mil de um convênio público destinado a um projeto social em Palmas. A Operação Jogo Limpo, concluída após 12 anos, apurou que o projeto "Atividade Física e Recreativa no Combate às Drogas" nunca foi executado, privando jovens em situação de vulnerabilidade do atendimento prometido.

O dinheiro, repassado em 3 de outubro de 2014 pela Fundação Municipal de Esporte e Lazer de Palmas (FUNDESPORTES) ao Instituto Vale do Tocantins, foi totalmente desviado no mesmo dia, segundo relatório da Divisão Especializada na Repressão à Corrupção (DECOR). A polícia classificou o caso como o "sequestro de uma esperança".

Esquema com empresas fantasmas

O relatório final da investigação, divulgado na quinta-feira (26), detalha que 100% dos recursos foram direcionados a empresas comprovadamente fantasmas no mesmo dia do crédito bancário, por meio de cheques. "Evidenciando que a celebração do convênio tinha como finalidade exclusiva a apropriação ilícita do erário", afirma o documento.

Para justificar os gastos, o esquema utilizava notas fiscais ideologicamente falsas emitidas por empresas de fachada. Diligências policiais constataram que os endereços declarados eram fictícios; em um deles, funcionava uma igreja evangélica. O gestor de uma das empresas confessou à polícia que nenhum serviço foi prestado.

Indiciados e crimes apontados

Entre os dez indiciados estão figuras centrais como o ex-presidente da FUNDESPORTES, Cleyton Alen; o ex-vereador Rogério Freitas; e o presidente do Instituto Vale do Tocantins, Deusdete da Silva Melo. Os crimes listados no relatório incluem peculato, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, dispensa ou inexigibilidade ilegal de licitação e associação criminosa.

O ex-vereador Rogério Freitas, investigado, afirmou que após 12 anos não foi sequer denunciado: "É importante que se apresente a denúncia, os investigados se defendam e a justiça julgue, com a urgência que o caso requer".

Estrutura interna fraudulenta e beneficiários

A investigação apontou que a fraude foi sustentada por uma estrutura organizada dentro da Fundesportes, que incluía uma comissão fictícia de análise de projetos. Servidores cujos nomes constavam na comissão declararam à polícia que sequer sabiam que faziam parte do grupo e que jamais analisaram qualquer documento.

Os recursos desviados foram pulverizados entre agentes políticos e seus familiares. A quebra de sigilo bancário identificou que o então vereador Rogério Freitas recebeu um depósito de R$ 40 mil oriundo de uma das empresas investigadas apenas cinco dias após o repasse do convênio.

Posicionamentos e próximos passos

A Prefeitura de Palmas emitiu nota afirmando que os fatos não têm relação com a atual gestão e que colabora com as investigações da Polícia Civil. Em contato telefônico, Deusdete Melo disse que os esclarecimentos já foram prestados e que o Instituto Vale do Tocantins foi desativado. O g1 tenta contato com a defesa do indiciado Cleyton Alen.

Com a conclusão do inquérito policial, o caso segue agora para o Ministério Público do Estado do Tocantins (MP-TO), que analisará o relatório e decidirá sobre a denúncia dos dez investigados à Justiça.

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