Neto e comparsa são condenados a mais de 100 anos por matar idosa no Tocantins
Jovens espancaram a vítima de 70 anos após ela se negar a emprestar o carro para uma noite de lazer.
Dois homens foram condenados a mais de cem anos de prisão pelo assassinato de uma idosa de 70 anos em Araguaína, norte do Tocantins. O crime ocorreu em maio de 2025, após a vítima, Raimunda Gois dos Santos, recusar-se a emprestar seu carro ao próprio neto, um dos condenados. Ela foi agredida dentro de casa para que os criminosos obtivessem as chaves do veículo e senhas bancárias.
A decisão judicial foi proferida pelo juiz Antônio Dantas de Oliveira Júnior, da 2ª Vara Criminal de Araguaína. Os condenados são Kelven Silvano Gomes dos Santos, de 20 anos, neto da vítima, e Pedro Lucas Ribeiro dos Santos, de 21 anos. Eles receberam sentença de 59 anos e nove meses de reclusão pelos crimes de latrocínio (roubo seguido de morte) e extorsão.
Crime planejado e execução violenta
Segundo a investigação, o crime foi planejado após a vítima passar a tarde com o neto e amigos em uma chácara. À noite, após deixarem a idosa em casa e irem a bares, o grupo voltou com a intenção de roubar o carro. A motivação, conforme destacou o magistrado na sentença, foi "matar para usar o carro em uma noite de lazer", caracterizando um motivo fútil.
O neto conseguiu entrar no quarto da avó alegando ter caído de bicicleta. Lá, o grupo imobilizou Raimunda e a agrediu violentamente. Além do veículo, os criminosos roubaram um celular, transferiram R$ 1 mil para a conta de um adolescente de 16 anos que também participou do crime e levaram R$ 200 em dinheiro. A idosa foi morta por enforcamento após ser torturada para fornecer as senhas.
Descoberta do crime e prisões
O corpo de Raimunda foi encontrado no dia 4 de maio de 2025. A polícia foi até a residência após os criminosos baterem e abandonarem o carro da vítima em um local conhecido como Feirinha. Ao checar a placa, a Polícia Militar localizou o endereço da proprietária e a encontrou morta.
O neto foi preso dias depois em Xambioá, quando tentava fugir para o estado do Pará. O outro adulto e o adolescente também foram localizados, e todos confessaram a participação no crime. O dinheiro roubado foi usado na tentativa de financiar a fuga do Tocantins.
Contexto familiar e consequências legais
Raimunda Gois dos Santos era viúva, morava sozinha e havia acolhido o neto em sua casa apenas quatro meses antes do assassinato. O juiz ressaltou em sua decisão a quebra de confiança e o fato de a avó sustentar o neto.
Além dos crimes contra a idosa, os dois adultos também foram condenados por corrupção de menores devido à participação do adolescente de 16 anos. Eles cumprirão a pena em regime fechado inicial e não poderão recorrer em liberdade. A TV Anhanguera e o g1 tentaram contato com as defesas dos condenados, mas não obtiveram resposta até a última atualização da reportagem.
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