Motoristas de ônibus param serviço em Araguaína após não receberem salários
Empresa responsável alega falta de reajuste tarifário desde 2018 e atraso em repasses da prefeitura.
Motoristas do transporte coletivo de Araguaína, no norte do Tocantins, paralisaram as atividades no sábado (10) após não receberem o pagamento dos salários. A empresa concessionária, Araguaína Transportes, atribui a situação à falta de reajuste na tarifa de passagem desde 2018 e ao atraso no repasse de subsídios municipais desde setembro de 2023.
A Prefeitura de Araguaína, por sua vez, afirma estar em dia com os pagamentos e aponta descumprimentos contratuais pela empresa, incluindo o uso de veículos com mais de 15 anos e reclamações de usuários sobre a qualidade do serviço.
Empresa cita falta de reajuste e repasses atrasados
O representante da Araguaína Transportes, Umberto Pereira, explicou que a paralisação ocorre porque a empresa não consegue arcar com as despesas. "O pessoal está paralisado devido a não termos reajuste de tarifa desde 2018. E desde 2023 também não houve reajuste no subsídio. Há alguns retroativos do subsídio atrasados pela prefeitura", afirmou.
Segundo Pereira, a empresa solicitou reajuste da tarifa e o pagamento de valores retroativos referentes ao período de setembro de 2023 a junho de 2024, mas não obteve resposta positiva da gestão municipal. A frota é composta por 20 veículos que atendem 14 linhas, com intervalos entre 27 e 30 minutos. A passagem custa R$ 4.
Prefeitura alega descumprimento contratual
Em nota, a prefeitura informou que repassa mensalmente R$ 351 mil à concessionária e que o atraso no pagamento dos funcionários é uma responsabilidade da empresa. A gestão municipal listou uma série de exigências não atendidas pela Araguaína Transportes, como a apresentação de um plano para renovação da frota e laudos mecânicos dos ônibus mais antigos.
"Ao assumir a concessão, a empresa se comprometeu a prestar um serviço adequado... O descumprimento de cláusulas do contrato pode implicar na perda da concessão", alertou a prefeitura, destacando que os veículos em operação "excedem a idade máxima prevista no contrato".
Impasses travam solução e afetam população
Enquanto a empresa afirma que precisa dos ajustes financeiros da prefeitura para adquirir novos veículos e cumprir as exigências, a prefeitura sustenta que a concessionária não respondeu aos seus requerimentos. A gestão municipal informou que analisa estratégias para resolver a situação, incluindo a regulamentação de lotações (vans) como transporte alternativo.
Com a paralisação, a população de Araguaína ficou sem o serviço de transporte coletivo. Os ônibus costumam operar das 5h30 às 23h30. Não há previsão para o retorno das atividades, que depende da resolução do conflito entre as partes.
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