Mortes em protestos no Irã chegam a 5.000, diz agência de direitos humanos
Organização com sede na Noruega afirma que manifestações contra o governo foram reprimidas com violência extrema desde o início dos levantes.
O número de mortos nos protestos que abalam o Irã desde 2022 atingiu a marca de 5.000 pessoas, segundo levantamento divulgado pela Iran Human Rights (IHR), organização não-governamental com sede em Oslo, na Norüega. Os dados, atualizados até janeiro de 2026, revelam a escala da repressão estatal aos movimentos de contestação ao regime teocrático.
As manifestações, que eclodiram inicialmente após a morte da jovem Mahsa Amini sob custódia da polícia moral, transformaram-se em um amplo movimento por liberdades civis e contra a autoridade dos aiatolás. A resposta das forças de segurança, incluindo a Guarda Revolucionária, tem sido caracterizada por violência extrema, prisões em massa e execuções sumárias.
Repressão sistemática e contexto histórico
A diretora da IHR, Mahmood Amiry-Moghaddam, afirmou em comunicado que "o regime iraniano continua sua política de usar a força letal para suprimir qualquer voz de dissidência". A organização baseia seus números em verificação de vídeos, relatos de testemunhas e fontes dentro do país, já que o governo iraniano não divulga dados oficiais consistentes sobre as vítimas.
O atual ciclo de protestos é considerado um dos mais duradouros e desafiadores para a República Islâmica desde sua fundação em 1979. Analistas apontam que, diferentemente de levantes anteriores, o movimento atual tem um caráter mais transversal, envolvendo diversas etnias, classes sociais e até setores tradicionalmente alinhados ao regime.
Repercussão internacional e próximos passos
A comunidade internacional, incluindo a União Europeia e os Estados Unidos, impôs novas rodadas de sanções a autoridades e entidades iranianas ligadas à repressão. No entanto, o governo em Teerã mantém sua narrativa, classificando os protestos como "distúrbios" orquestrados por potências estrangeiras.
Especialistas em direitos humanos alertam que, sem uma mudança na postura do regime ou uma pressão internacional mais efetiva, a tendência é de continuidade da violência. A IHR e outras organizações seguem documentando as violações, enquanto famílias das vítimas buscam por justiça em um sistema judicial controlado pelo Estado.
Deixe seu Comentário
0 Comentários