Lula critica falta de reciprocidade dos EUA em diálogo sobre tarifas
Presidente afirma que Brasil não ficará "chorando" e defende postura firme após novo tarifaço de Trump.</p>
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (22) que o Brasil não ficará "chorando" diante das recentes medidas comerciais dos Estados Unidos. A declaração ocorre após o anúncio de um novo tarifaço do presidente americano, Donald Trump, que elevou as taxas sobre produtos brasileiros.
Lula disse que o diálogo com os EUA não teve reciprocidade e que o Brasil buscará alternativas para defender seus interesses. "Não vamos ficar chorando, vamos buscar soluções", declarou o presidente, sem detalhar quais medidas serão adotadas.
O tarifaço de Trump, que entrou em vigor na última semana, elevou em até 25% as tarifas sobre aço e alumínio brasileiros, além de outros produtos. A medida gerou reações no governo brasileiro, que estuda retaliações comerciais.
Reações e desdobramentos
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o governo está avaliando as consequências do tarifaço e que pode recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC). "Vamos usar todos os instrumentos legais para defender a economia brasileira", disse Haddad.
Entidades empresariais, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), criticaram a medida americana. A CNI estima que as exportações brasileiras de aço para os EUA podem cair até 30% neste ano, afetando cerca de 15 mil empregos diretos no setor.
O Canadá também reagiu ao tarifaço de Trump. O país cancelou a inauguração de uma ponte com os EUA, prevista para esta semana, como forma de protesto. O governo canadense anunciou tarifas retaliatórias sobre produtos americanos.
Contexto histórico
Esta não é a primeira vez que Brasil e EUA entram em disputa comercial. Em 2018, durante o primeiro mandato de Trump, o Brasil foi afetado por tarifas sobre aço e alumínio. Na época, o governo brasileiro negociou cotas de exportação para evitar medidas mais duras.
Desta vez, o cenário é diferente. O governo Lula adota uma postura mais crítica em relação à política externa americana. O presidente já criticou publicamente as medidas protecionistas de Trump em fóruns internacionais, como a Cúpula das Américas.
Próximos passos
O governo brasileiro deve anunciar nas próximas semanas um pacote de medidas para mitigar os efeitos do tarifaço. Entre as opções estão a abertura de novos mercados na Ásia e na Europa, além de incentivos à indústria nacional.
Lula também deve discutir o tema com outros líderes sul-americanos em uma reunião do Mercosul prevista para agosto. O presidente argentino, Alberto Fernández, já manifestou solidariedade ao Brasil e criticou as medidas de Trump.
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