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Lula acerta com Desenrola, mas não fez acenos ao Centro, alertam aliados
Política

Lula acerta com Desenrola, mas não fez acenos ao Centro, alertam aliados

Presidente busca renegociar dívidas, mas evita diálogo com partidos do centrão, gerando preocupação na base aliada.

Redação
Redação

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5 de maio de 2026 ·

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, neste sábado (5), a ampliação do programa Desenrola, que renegocia dívidas de milhões de brasileiros. A medida foi vista como um acerto político e econômico, mas aliados do governo alertam para a ausência de acenos ao Centrão, grupo de partidos que controla o Congresso Nacional.

Desenrola é ampliado, mas articulação política preocupa

O programa, que já beneficiou mais de 15 milhões de pessoas, agora inclui novas faixas de renda e prazos maiores para pagamento. Segundo o Ministério da Fazenda, a renegociação pode injetar até R$ 50 bilhões na economia até o fim do ano. No entanto, a falta de diálogo com partidos como PP, Republicanos e PL, que compõem o Centrão, pode dificultar a aprovação de pautas prioritárias no Congresso.

“Lula está certo em focar no social, mas precisa entender que sem o Centrão, o governo não consegue aprovar projetos importantes”, disse um líder do PT sob condição de anonimato. A declaração reflete a tensão entre o Planalto e a base aliada, que cobra mais espaço na articulação política.

Aliados pedem aproximação com o Centrão

Nos bastidores, aliados do presidente alertam que a estratégia de ignorar o Centrão pode custar caro. O grupo, que já foi base do governo Jair Bolsonaro (PL), hoje negocia apoios pontuais, mas exige cargos e emendas para se alinhar ao governo Lula.

“O Centrão não é inimigo, mas também não é aliado automático. Se o governo não fizer acenos, as pautas vão travar”, afirmou um deputado federal do MDB. A declaração foi feita após reunião de líderes partidários na Câmara, onde o tema foi amplamente discutido.

Enquanto isso, o governo tenta aprovar o projeto de lei que trata das terras raras, considerado estratégico para a transição energética. A votação está prevista para esta semana, mas a oposição já sinalizou que pode obstruir a pauta caso não haja avanços nas negociações.

Contexto de tensão no Congresso

A relação entre o Executivo e o Legislativo tem sido marcada por embates nos últimos meses. Em abril, o governo sofreu derrotas em votações importantes, como a que tratava da reforma administrativa. A falta de diálogo com o Centrão é apontada como um dos principais motivos para os revezes.

“O presidente precisa entender que governar sem o Congresso é impossível. O Desenrola é bom, mas não resolve tudo”, analisou o cientista político Carlos Melo, do Insper. Para ele, a ampliação do programa é um acerto, mas a ausência de acenos políticos pode gerar instabilidade.

Próximos passos

O governo deve intensificar as negociações com o Centrão nas próximas semanas, segundo fontes do Planalto. A pauta prioritária inclui a aprovação do projeto das terras raras e a regulamentação da reforma tributária. Enquanto isso, o Desenrola segue como principal bandeira social do governo.

“Vamos continuar dialogando com todos os partidos. O importante é garantir que o Brasil volte a crescer com justiça social”, afirmou o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha (PT), em entrevista coletiva.

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