Lula acerta com Desenrola, mas não fez acenos ao Centro, alertam aliados
Presidente busca renegociar dívidas, mas evita diálogo com partidos do centrão, gerando preocupação na base aliada.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, neste sábado (5), a ampliação do programa Desenrola, que renegocia dívidas de milhões de brasileiros. A medida foi vista como um acerto político e econômico, mas aliados do governo alertam para a ausência de acenos ao Centrão, grupo de partidos que controla o Congresso Nacional.
Desenrola é ampliado, mas articulação política preocupa
O programa, que já beneficiou mais de 15 milhões de pessoas, agora inclui novas faixas de renda e prazos maiores para pagamento. Segundo o Ministério da Fazenda, a renegociação pode injetar até R$ 50 bilhões na economia até o fim do ano. No entanto, a falta de diálogo com partidos como PP, Republicanos e PL, que compõem o Centrão, pode dificultar a aprovação de pautas prioritárias no Congresso.
“Lula está certo em focar no social, mas precisa entender que sem o Centrão, o governo não consegue aprovar projetos importantes”, disse um líder do PT sob condição de anonimato. A declaração reflete a tensão entre o Planalto e a base aliada, que cobra mais espaço na articulação política.
Aliados pedem aproximação com o Centrão
Nos bastidores, aliados do presidente alertam que a estratégia de ignorar o Centrão pode custar caro. O grupo, que já foi base do governo Jair Bolsonaro (PL), hoje negocia apoios pontuais, mas exige cargos e emendas para se alinhar ao governo Lula.
“O Centrão não é inimigo, mas também não é aliado automático. Se o governo não fizer acenos, as pautas vão travar”, afirmou um deputado federal do MDB. A declaração foi feita após reunião de líderes partidários na Câmara, onde o tema foi amplamente discutido.
Enquanto isso, o governo tenta aprovar o projeto de lei que trata das terras raras, considerado estratégico para a transição energética. A votação está prevista para esta semana, mas a oposição já sinalizou que pode obstruir a pauta caso não haja avanços nas negociações.
Contexto de tensão no Congresso
A relação entre o Executivo e o Legislativo tem sido marcada por embates nos últimos meses. Em abril, o governo sofreu derrotas em votações importantes, como a que tratava da reforma administrativa. A falta de diálogo com o Centrão é apontada como um dos principais motivos para os revezes.
“O presidente precisa entender que governar sem o Congresso é impossível. O Desenrola é bom, mas não resolve tudo”, analisou o cientista político Carlos Melo, do Insper. Para ele, a ampliação do programa é um acerto, mas a ausência de acenos políticos pode gerar instabilidade.
Próximos passos
O governo deve intensificar as negociações com o Centrão nas próximas semanas, segundo fontes do Planalto. A pauta prioritária inclui a aprovação do projeto das terras raras e a regulamentação da reforma tributária. Enquanto isso, o Desenrola segue como principal bandeira social do governo.
“Vamos continuar dialogando com todos os partidos. O importante é garantir que o Brasil volte a crescer com justiça social”, afirmou o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha (PT), em entrevista coletiva.
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