Laudo aponta espancamento em morte de detento no Tocantins; Seciju contradiz versão inicial
Documento do IML indica traumatismos e fraturas, contrariando hipótese de mal-estar divulgada pela secretaria.
A morte de Aparecido da Silva Cruz, de 42 anos, na Unidade Penal de Araguaína (UPA), no norte do Tocantins, ganhou novo capítulo neste sábado (6). O laudo do Instituto Médico Legal (IML) aponta que o corpo da vítima apresentava diversas lesões, contusões, traumatismos e fraturas, possivelmente causados por agressão física ou espancamento. O documento contradiz a versão inicial da Secretaria de Cidadania e Justiça (Seciju), que informou que o detento teria passado mal dentro da unidade.
O que diz o laudo
A declaração de óbito, baseada no exame pericial, indica sinais claros de violência. A informação foi confirmada pela própria Seciju neste sábado, que admitiu que a versão preliminar de mal-estar era preliminar e que, após a emissão do laudo, foi possível identificar os sinais de agressão. A pasta informou que abrirá investigação interna, por meio da Corregedoria, para apurar as causas e circunstâncias do falecimento.
Histórico do detento
Aparecido cumpria pena no regime semiaberto por uma tentativa de homicídio ocorrida em 2005, durante uma discussão. Ele havia retornado ao regime fechado há uma semana. Segundo a advogada Geisa Claudia Alves de Almeida Fernandes, o motivo foi a quebra da tornozeleira eletrônica. "Faltava pouco para cumprir a pena dele. Acabou que ele estava de tornozeleira no semiaberto, o pai estava hospitalizado em Palmas e ele quebrou a tornozeleira [para ir ver o pai]. O pai dele acabou vindo a óbito", explicou a advogada.
A defensora relata que participou de uma audiência de custódia durante a semana e que o cliente estava bem. "A juíza questionou o estado de saúde dele. Ele estava bem, tranquilo. E aí depois eu recebo a notícia de que ele foi morto dentro da unidade prisional", contou.
Investigação em andamento
A Polícia Civil, por meio da Divisão de Homicídios e de Proteção à Pessoa de Araguaína (2º DHPP), já investiga o caso. A advogada informou que também registrará ocorrência para que o caso seja apurado. "O Estado tem responsabilidade sobre isso porque ele está sob custódia do Estado. A gente sabe que tem que ser feita Justiça, mas tem que ter a proteção da Justiça também", afirmou.
Em nota, a Seciju reforçou que colabora integralmente com os órgãos policiais e periciais e que prestou todo o apoio à família do detento. A Secretaria da Segurança Pública confirmou que o caso segue sob investigação.
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