Influenciadora suspeita de movimentar R$ 20 mi ironizou dívidas em post
Lara Luíza Cabral, alvo da Operação Tigre de Areia, publicou vídeo de humor sobre endividamento um mês antes da ação policial.
A influenciadora digital Lara Luíza Cabral, investigada pela Polícia Civil do Tocantins por suspeita de movimentar mais de R$ 20 milhões em um ano com jogos de azar e lavagem de dinheiro, publicou um vídeo em tom de humor sobre dívidas um mês antes de se tornar alvo de uma operação policial.
Na postagem de abril, Lara pergunta: "Você faz alguma atividade perigosa? Sim. Faço dívidas que não consigo pagar. E ainda durmo tranquila até a fatura chegar. Vivendo perigosamente". O conteúdo foi divulgado nas redes sociais da influenciadora, que tem quase 19 mil seguidores.
Operação Tigre de Areia
Na última quinta-feira (14), a Polícia Civil deflagrou a Operação Tigre de Areia, que mirou Lara e sua mãe, Valquira Cabral de Sousa. Segundo a investigação, o grupo utilizava empresas de fachada, contas de familiares e transferências para instituições religiosas para lavar o dinheiro obtido com a exploração de jogos de azar.
Enquanto Lara declarava renda mensal de menos de R$ 4 mil, sua mãe, que atuava como faxineira com renda de R$ 3 mil, movimentou sozinha R$ 9 milhões, de acordo com a polícia. A Justiça determinou o bloqueio das redes sociais da influenciadora e o sequestro de bens, incluindo três veículos e dez imóveis.
Impacto social do endividamento
O psicanalista Carlos Mendes alerta para o perigo da normalização do endividamento em um contexto de divulgação de jogos de azar. "Cerca de 50% da população brasileira está negativada e 80% endividada. Brincar com essa realidade ignora o crescimento no número de crimes e a diminuição do consumo de produtos, inclusive da cesta básica, por parte de quem realiza apostas", explica.
Para o especialista, a lógica dos jogos é perversa, e as plataformas estimulam o sistema de recompensa do cérebro através do "reforço intermitente". O impacto é potencializado quando influenciadores digitais fazem o trabalho de divulgação.
Medidas cautelares
A Justiça negou o pedido de prisão preventiva das investigadas, optando por medidas cautelares alternativas, como a suspensão das redes sociais e o sequestro judicial de bens (três casas, sete lotes e três veículos). O magistrado também autorizou a quebra do sigilo de dados das mulheres, permitindo acesso a informações armazenadas em nuvens e celulares.
O g1 tentou contato com Lara Luíza Cabral, mas não houve retorno até a última atualização desta reportagem.
Deixe seu Comentário
0 Comentários