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Influenciadora suspeita de movimentar R$ 20 mi ironizou dívidas em post
Segurança Pública

Influenciadora suspeita de movimentar R$ 20 mi ironizou dívidas em post

Lara Luíza Cabral, alvo da Operação Tigre de Areia, publicou vídeo de humor sobre endividamento um mês antes da ação policial.

Redação
Redação

foco em informação atualizada e de interesse público

16 de maio de 2026 ·

A influenciadora digital Lara Luíza Cabral, investigada pela Polícia Civil do Tocantins por suspeita de movimentar mais de R$ 20 milhões em um ano com jogos de azar e lavagem de dinheiro, publicou um vídeo em tom de humor sobre dívidas um mês antes de se tornar alvo de uma operação policial.

Na postagem de abril, Lara pergunta: "Você faz alguma atividade perigosa? Sim. Faço dívidas que não consigo pagar. E ainda durmo tranquila até a fatura chegar. Vivendo perigosamente". O conteúdo foi divulgado nas redes sociais da influenciadora, que tem quase 19 mil seguidores.

Operação Tigre de Areia

Na última quinta-feira (14), a Polícia Civil deflagrou a Operação Tigre de Areia, que mirou Lara e sua mãe, Valquira Cabral de Sousa. Segundo a investigação, o grupo utilizava empresas de fachada, contas de familiares e transferências para instituições religiosas para lavar o dinheiro obtido com a exploração de jogos de azar.

Enquanto Lara declarava renda mensal de menos de R$ 4 mil, sua mãe, que atuava como faxineira com renda de R$ 3 mil, movimentou sozinha R$ 9 milhões, de acordo com a polícia. A Justiça determinou o bloqueio das redes sociais da influenciadora e o sequestro de bens, incluindo três veículos e dez imóveis.

Impacto social do endividamento

O psicanalista Carlos Mendes alerta para o perigo da normalização do endividamento em um contexto de divulgação de jogos de azar. "Cerca de 50% da população brasileira está negativada e 80% endividada. Brincar com essa realidade ignora o crescimento no número de crimes e a diminuição do consumo de produtos, inclusive da cesta básica, por parte de quem realiza apostas", explica.

Para o especialista, a lógica dos jogos é perversa, e as plataformas estimulam o sistema de recompensa do cérebro através do "reforço intermitente". O impacto é potencializado quando influenciadores digitais fazem o trabalho de divulgação.

Medidas cautelares

A Justiça negou o pedido de prisão preventiva das investigadas, optando por medidas cautelares alternativas, como a suspensão das redes sociais e o sequestro judicial de bens (três casas, sete lotes e três veículos). O magistrado também autorizou a quebra do sigilo de dados das mulheres, permitindo acesso a informações armazenadas em nuvens e celulares.

O g1 tentou contato com Lara Luíza Cabral, mas não houve retorno até a última atualização desta reportagem.

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