Influencer pode fazer campanha política? Entenda as regras da eleição
Especialistas explicam limites legais para influenciadores digitais em propaganda eleitoral e possíveis punições.
Com a proximidade das eleições, cresce a dúvida sobre se influenciadores digitais podem ou não fazer campanha política. A legislação eleitoral brasileira permite a participação, mas impõe regras claras para evitar abusos e garantir a lisura do processo.
O que diz a lei
De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), influenciadores podem manifestar apoio a candidatos, desde que não recebam pagamento para isso. A propaganda eleitoral paga por terceiros é proibida, e a prática configura crime de caixa dois, sujeito a multa e até prisão.
“O influenciador pode fazer campanha espontânea, mas não pode ser remunerado para divulgar um candidato”, explica o advogado eleitoral João Silva, especialista em direito digital. “Se houver pagamento, a campanha deve registrar como despesa eleitoral, com emissão de nota fiscal.”
Limites e proibições
Além da proibição de pagamento, influenciadores não podem usar robôs ou perfis falsos para amplificar o alcance das mensagens. A disseminação de fake news também é crime, podendo levar à cassação do candidato beneficiado.
Outro ponto importante é a transparência: conteúdos pagos devem ser claramente identificados como propaganda eleitoral, sob pena de multa. “O eleitor tem o direito de saber se aquele conteúdo é espontâneo ou pago”, reforça Silva.
Riscos e consequências
Influenciadores que descumprirem as regras podem ser multados em até R$ 30 mil por postagem irregular. Em casos graves, podem responder judicialmente por abuso de poder econômico ou propaganda irregular.
Para o candidato, o risco é ainda maior: o TSE pode cassar o registro ou o diploma se comprovar que houve uso de caixa dois ou disseminação de desinformação. “A responsabilidade é solidária entre candidato e influenciador”, alerta o especialista.
Como fazer campanha dentro da lei
Para atuar legalmente, influenciadores devem declarar apoio de forma voluntária e sem contrapartida financeira. Se houver contrato, a campanha deve registrar o gasto e emitir nota fiscal. Conteúdos pagos precisam ter a tag #PropagandaEleitoral ou equivalente.
Além disso, é recomendável que influenciadores evitem compartilhar informações não verificadas e priorizem fontes oficiais, como os sites do TSE e dos tribunais regionais eleitorais.
A expectativa é que, com as novas regras, a participação de influenciadores nas eleições seja mais transparente e segura, protegendo tanto o eleitor quanto os envolvidos na campanha.
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