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Filhas são indiciadas por feminicídio da mãe em caso que envolve planejamento e interesses financeiros no TO

Filhas são indiciadas por feminicídio da mãe em caso que envolve planejamento e interesses financeiros no TO

Vítima de 55 anos foi morta a facadas e teve corpo jogado em rio após ser vista como "embaraço" pelas filhas, segundo investigação.

Redação
Redação

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9 de abril de 2026 ·

A servidora pública e empresária Deise Carmen de Oliveira Ribeiro, de 55 anos, foi vítima de feminicídio no dia 26 de dezembro de 2025, em Peixe, sul do Tocantins. O corpo dela foi encontrado em 1º de janeiro de 2026 no Rio Santa Tereza. As filhas da vítima, Déborah de Oliveira Ribeiro, 26 anos, e Roberta de Oliveira Ribeiro, 32 anos, foram indiciadas pelo crime na última segunda-feira (6), junto com o marido, José Roberto Ribeiro, 54 anos.

Segundo a Polícia Civil, o crime foi motivado por conflitos familiares e interesses financeiros. As investigações apontam que as filhas planejaram e executaram o assassinato, enquanto o pai teria atuado na eliminação de provas após o fato. Os três estão presos preventivamente desde fevereiro.

Planejamento meticuloso para enganar familiares

A investigação da 94ª Delegacia de Polícia de Peixe, com apoio da 8ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (DEIC) de Gurupi, revelou um plano detalhado. As suspeitas compraram um celular no nome da mãe e, após o crime, usaram o aparelho para enviar mensagens a parentes, fingindo que Deise tinha ido embora por conta própria. A estratégia serviu para atrasar as buscas e dificultar o trabalho policial.

Deise foi morta com vários golpes de faca em uma área rural perto da Vila Quixaba, antes de ter o corpo jogado no rio. A sobrinha da vítima, que preferiu não se identificar, relatou ao g1 que Deise era apegada à família, vivia em oração pelas filhas e era emocionalmente dependente do marido. "Várias pessoas discordavam da união, por não considerarem o relacionamento saudável", contou.

Conflitos financeiros como pano de fundo

Deise era dona de uma fábrica de rodos, principal fonte de renda da família. O delegado João Paulo explicou que as filhas, apesar de exercerem outras atividades, dependiam financeiramente da mãe. Um dos conflitos recentes envolvia o fato de o pai ter dado um cartão para uma das filhas gastar, com o qual a mãe não concordava.

"As filhas viam a mãe como um embaraço na vida delas. A partir do momento que a mãe faltasse, elas iam ter total controle porque o pai [...] não ia tentar fazer esse controle, ele não ia controlar as despesas, a questão financeira. E isso ia passar para elas", detalhou o delegado. Com a morte, elas supostamente teriam controle sobre a empresa.

Defesa contesta narrativa policial

Em nota, a defesa de Déborah, Roberta e José Roberto afirmou que o relatório policial possui "lacunas fundamentais" e que a narrativa carece de lastro probatório técnico. A defesa destacou que a autoridade policial admitiu não ter reunido elementos suficientes para vincular José Roberto à execução do homicídio ou à ocultação do cadáver, limitando seu indiciamento a uma suposta supressão de mensagens digitais.

"A defesa tomará todas as medidas legais cabíveis assegurando que o contraditório e a ampla defesa sejam exercidos em sua plenitude", afirmou a nota, reiterando o compromisso com a presunção de inocência.

Próximos passos do caso

O inquérito foi concluído e o caso encaminhado para a Justiça. Caberá ao Ministério Público Estadual do Tocantins (MPTO) analisar o material e definir se apresenta a denúncia criminal contra os três indiciados.

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