Falha em controle de tráfego aéreo de SP afeta principais aeroportos do Brasil
Problema no sistema do Cindacta em São Paulo gera atrasos e cancelamentos em voos nacionais nesta quinta-feira.
Uma falha no sistema de controle de tráfego aéreo do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta) em São Paulo afetou as operações dos principais aeroportos do Brasil na manhã desta quinta-feira, 9 de abril de 2026. O problema, ocorrido por volta das 9h, gerou uma série de atrasos e cancelamentos de voos em todo o país, impactando milhares de passageiros.
De acordo com a Infraero e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a falha técnica no Cindacta II, localizado em Curitiba (PR) mas responsável pelo espaço aéreo da região Sudeste, obrigou a adoção de procedimentos de contingência. O controle do tráfego aéreo precisou ser realizado de forma manual e com maior espaçamento entre as aeronaves, reduzindo drasticamente a capacidade de pousos e decolagens.
Impacto Nacional e Resposta das Autoridades
Aeroportos como Guarulhos (GRU) e Congonhas (CGH), em São Paulo, Santos Dumont (SDU) e Galeão (GIG), no Rio de Janeiro, e Brasília (BSB) foram os mais afetados. Companhias aéreas emitiram alertas aos passageiros, recomendando verificar o status dos voos antes de se dirigir aos terminais. A Latam e a Gol registraram dezenas de cancelamentos e atrasos superiores a duas horas em suas programações.
Em nota, o Comando da Aeronáutica informou que "as equipes técnicas trabalham para a total restauração do sistema" e que "a prioridade é a segurança das operações". A Anac monitora a situação e determinou que as companhias aéreas adotem os protocolos de assistência aos passageiros, incluindo realocação em outros voos, fornecimento de alimentação e hospedagem quando necessário.
Contexto Histórico e Críticas
Não é a primeira vez que falhas no sistema de controle aéreo brasileiro causam caos nacional. Em 2022, uma pane semelhante no Cindacta III, em Recife, paralisou voos no Norte e Nordeste por horas. Especialistas apontam para a necessidade de investimentos urgentes na modernização da infraestrutura, que em partes ainda depende de tecnologia defasada.
O presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Eduardo Sanovicz, criticou a recorrência dos problemas. "Esses eventos trazem prejuízos enormes para o setor e, principalmente, para o passageiro, que é quem mais sofre. É inaceitável que um país com a dimensão do Brasil ainda enfrente essas vulnerabilidades em seu sistema de controle aéreo", afirmou.
Previsão e Próximos Passos
Às 12h30, o Comando da Aeronáutica informou que os sistemas principais estavam sendo restabelecidos gradualmente, mas que a normalização completa do fluxo de voos poderia levar horas. Passageiros com viagens marcadas para o período da tarde e noite devem continuar verificando as informações com suas companhias aéreas.
A Anac abriu procedimento para apurar as causas da falha e determinar responsabilidades. O ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, afirmou que cobrará explicações da Aeronáutica e que o tema será tratado como "prioridade absoluta" pelo governo.
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