Ex-gerente preso por desviar R$ 10 milhões de fazenda pesquisou como viver de renda
Investigação revelou buscas na internet sobre investimentos para parar de trabalhar aos 43 anos.
O ex-gerente da Fazenda Bacaba, Péricles Antônio Pereira, foi preso preventivamente na última terça-feira (7) suspeito de liderar um esquema de desvios que causou um prejuízo estimado em R$ 10 milhões aos proprietários do empreendimento, localizado em Miranorte, no Tocantins. A fraude teria ocorrido entre 2021 e 2025.
A Justiça autorizou a quebra de sigilos e o acesso aos dados digitais do investigado, o que revelou que ele realizou pesquisas na internet sobre como "viver de renda" com R$ 2,5 milhões — valor exato encontrado em suas contas bancárias. O salário declarado por Péricles era de R$ 26 mil mensais.
Patrimônio incompatível e plano de fuga
A investigação da 6ª Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes e Crimes Contra a Ordem Tributária (6ª DEIC) da Polícia Civil identificou uma evolução patrimonial considerada incompatível com a renda do ex-gerente. Entre 2023 e 2024, seu patrimônio saltou de cerca de R$ 200 mil para R$ 1,9 milhão, sem comprovação da origem dos recursos.
Mais de R$ 2,5 milhões foram aplicados por Péricles em fundos de investimento. As buscas na internet incluíram termos como "qual a renda passiva de R$ 2,5 milhões aplicados em renda fixa?" e "parar de trabalhar aos 43 anos, com custo de vida de R$ 20 mil por mês: quanto dinheiro preciso ter investido?".
Esquema de superfaturamento e agiotagem
Segundo a polícia, Péricles usava seu cargo para superfaturar serviços prestados por terceiros à fazenda. A diferença entre os valores reais e os informados era desviada para contas próprias e de terceiros. Empresas prestadoras relataram comportamento intimidatório durante cobranças, incluindo, segundo depoimentos, o uso de arma de fogo.
Documentos analisados revelaram planilhas com controle de valores ligados à prática de agiotagem, que supostamente era realizada com parte do dinheiro desviado. A polícia também encontrou pesquisas do suspeito sobre processos contra funcionários acusados de superfaturamento e como processar quem o denunciasse.
Medidas judiciais e defesa
A Justiça determinou o cumprimento de seis mandados de busca e apreensão e uma ordem de prisão preventiva. As ações ocorreram em Miranorte e Lajeado (TO) e em Novo São Joaquim (MT). Além da prisão, foi autorizado o bloqueio de R$ 10 milhões nas contas do investigado e da esposa, e de R$ 1,6 milhão nas contas de uma empresa suspeita de integrar o esquema.
Em nota, a defesa de Péricles Antônio Pereira afirmou que o investigado é inocente e que seu patrimônio foi construído ao longo de mais de 20 anos de trabalho no meio rural. Os advogados sustentaram que a divulgação das informações é prematura e que a inocência será demonstrada no decorrer do processo legal.
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