Ex-gerente de fazenda no TO é preso por suspeita de desviar R$ 10 milhões
Investigação aponta que suspeito pesquisou na internet sobre como seria processado após denúncia.
Péricles Antônio Pereira, ex-gerente da Fazenda Bacaba, em Miranorte (TO), foi preso preventivamente na última terça-feira (7) sob suspeita de liderar um esquema de desvios que totalizou cerca de R$ 10 milhões. A Polícia Civil do Tocantins (PCTO) cumpriu mandados de busca e apreensão também em Lajeado (TO) e Novo São Joaquim (MT).
Os crimes teriam ocorrido entre 2021 e 2025, período em que o patrimônio do investigado saltou de aproximadamente R$ 200 mil para R$ 1,9 milhão, sem comprovação da origem dos recursos. Péricles recebia um salário mensal de cerca de R$ 26 mil na fazenda.
Pesquisas na internet indicam tentativa de entender consequências
De acordo com as investigações, após o registro de um boletim de ocorrência pelos proprietários da fazenda em 2025, o ex-gerente passou a fazer buscas na internet utilizando seu nome completo. Entre os termos pesquisados estavam: "Péricles Antônio Pereira como pode ser processado", "Péricles Antônio Pereira quanto posso investir para parar de trabalhar" e "Péricles Antônio Pereira superfaturamento".
A polícia também identificou que, em outubro de 2025, ele se candidatou a uma vaga de Coordenador Agrícola em Canarana (MT) e fez compras com destino a Novo São Joaquim (MT), cidade onde sua esposa possui um imóvel, indicando uma possível intenção de mudança de estado.
Esquema de superfaturamento e agiotagem
O modus operandi investigado envolvia o superfaturamento de serviços de terceiros contratados pela fazenda. Péricles supostamente informava um valor aos proprietários e pagava um valor menor aos prestadores, desviando a diferença. Empresas relataram à polícia que o ex-gerente fazia cobranças intimidatórias, com uso de arma de fogo.
Parte do dinheiro desviado era, segundo a polícia, utilizado na prática de agiotagem. Os investigadores encontraram uma planilha com controles de valores ligados a essa atividade ilícita.
Defesa alega inocência e contesta versão
Em nota, a defesa de Péricles Antônio Pereira afirmou que ainda não teve acesso integral ao inquérito policial e que se manifestará de forma mais detalhada posteriormente. Sustentou a inocência do cliente, destacando seus mais de 20 anos de atuação no meio rural sem histórico de irregularidades.
A defesa também contestou a versão de que o patrimônio foi construído recentemente, afirmando que ele foi "construído ao longo de anos de trabalho". A nota ainda reforçou o princípio da presunção de inocência e criticou a "divulgação prematura e descontextualizada de informações".
Próximos passos da investigação
Além da prisão preventiva, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 10 milhões nas contas de Péricles e de sua esposa, e de R$ 1,6 mil das contas de uma empresa suspeita de integrar o esquema. O ex-gerente responde por suspeita de furto qualificado mediante fraude, lavagem de dinheiro e agiotagem.
A operação que resultou na prisão foi deflagrada após cerca de seis meses de investigações, iniciadas quando os proprietários da Fazenda Bacaba perceberam inconsistências nas movimentações financeiras.
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