Ex-detento cursa medicina, passa em concurso e planeja retorno a MG
Wallace William da Costa, 44, superou condenação por tráfico, estuda na UFNT e foi aprovado em concurso público para médico.
Condenado aos 18 anos por tráfico de drogas, Wallace William da Costa, hoje com 44 anos, é um exemplo de superação no sistema prisional. Atualmente no 8º período de Medicina na Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT), em Araguaína, ele foi aprovado em um concurso público para médico em Minas Gerais, seu estado natal.
Wallace foi preso em 1997 e cumpriu quatro anos de regime fechado na Penitenciária José Edson Cavalieri, em Minas Gerais. Durante o período de reclusão, decidiu concluir o ensino médio, o que abriu caminho para retomar os estudos anos depois, durante a pandemia de Covid-19.
Preconceito e estigma social
Apesar das conquistas acadêmicas e profissionais, o estudante relata enfrentar preconceito no ambiente universitário. "Infelizmente ainda há alguns preconceitos, inclusive sofro com eles até aqui na própria universidade, de que esse não é o perfil de aluno que a universidade quer", afirmou Wallace.
O doutor em Psicologia Social e professor Ladislau Ribeiro do Nascimento explicou que o sistema prisional tende a retirar a identidade do indivíduo, gerando um estigma social que dificulta a ressocialização. "A grande massa não acredita na possibilidade de ressocialização, mesmo com inúmeros exemplos de pessoas ressocializadas, e tende a negar o direito dessas pessoas de viverem em liberdade", disse.
Garantias legais e direitos dos egressos
O advogado e professor Mateus Gomes destacou que a legislação brasileira, incluindo a Lei de Execuções Penais, garante direitos a ex-detentos, como apoio na obtenção de trabalho e o projeto "Começar de Novo", que visa a reinserção social e qualificação profissional. "Há uma série de direitos que são garantidos, como o direito e o apoio na obtenção de trabalho", afirmou.
Planos futuros
Wallace se prepara para o internato e aguarda a formatura para assumir o cargo de médico em Minas Gerais. Ele é casado e tem quatro filhas, que moram no estado e aguardam seu retorno. O estudante planeja se reencontrar com a família e atuar no serviço público.
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