Etanol na gasolina deve subir para 32%; veja o impacto nos carros
Mistura maior de etanol anidro na gasolina pode alterar consumo e desempenho dos veículos; entenda as mudanças.
O governo federal deve anunciar nos próximos dias o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina de 27% para 32%. A medida, que já vinha sendo discutida, tem como objetivo reduzir a dependência de combustíveis fósseis e impulsionar o setor sucroenergético.
A nova proporção, se confirmada, representará um acréscimo de cinco pontos percentuais na quantidade de etanol misturado à gasolina comum vendida nos postos do Brasil. A decisão final depende de análises técnicas e de impacto nos motores.
O que muda para o motorista
Especialistas apontam que o aumento do teor de etanol na gasolina pode gerar consequências diretas no bolso do consumidor e no funcionamento dos veículos. O etanol tem menor poder calorífico que a gasolina, o que pode resultar em um aumento no consumo de combustível.
Em contrapartida, por ser um combustível de maior octanagem, o etanol pode melhorar o desempenho do motor em alguns veículos, especialmente os mais modernos e preparados para essa mistura. A maioria dos carros flex vendidos no Brasil já está adaptada para variações na proporção de etanol.
“A diferença no consumo pode chegar a 5% com essa nova mistura”, explica o engenheiro mecânico Carlos Alberto de Oliveira, especialista em combustíveis da Universidade de São Paulo (USP). “Mas o motorista pode não perceber uma mudança drástica no dia a dia.”
Impacto ambiental e econômico
A medida também é vista como uma forma de reduzir as emissões de gases poluentes. O etanol, por ser renovável, emite menos CO2 na atmosfera em comparação com a gasolina pura. A expectativa do governo é que a nova mistura ajude o Brasil a cumprir metas ambientais internacionais.
Para o setor sucroenergético, o aumento da mistura representa um fôlego extra. A demanda por etanol anidro deve crescer, beneficiando usinas e produtores de cana-de-açúcar. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) estima que a medida pode gerar um incremento de R$ 2 bilhões ao ano no setor.
Próximos passos
O Ministério de Minas e Energia ainda não divulgou uma data oficial para o anúncio. A pasta informou que aguarda a conclusão de estudos sobre a viabilidade técnica da mistura em todos os tipos de motores comercializados no país.
Caso aprovada, a nova proporção de 32% deve entrar em vigor em até 90 dias após a publicação no Diário Oficial da União. A mudança valerá para toda a gasolina comercializada no território nacional.
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