Dólar fecha no menor valor em 21 meses após mudanças no tarifaço de Trump
Moeda norte-americana recua para R$ 4,75, patamar não visto desde maio de 2024, após anúncio de revisão de tarifas.
O dólar comercial encerrou esta segunda-feira (23) cotado a R$ 4,75, a menor taxa de fechamento em 21 meses. A queda de 1,5% no dia foi impulsionada pelo anúncio do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump de que revisará parte do pacote de tarifas de importação que propôs, conhecido como "tarifaço".
A moeda norte-americana não fechava em patamar tão baixo desde 15 de maio de 2024. No mercado futuro, a queda foi ainda mais acentuada, com contratos para março recuando 2,13%, a R$ 4,72. A mudança de rumo nas propostas comerciais de Trump aliviou os temores de uma guerra comercial global e melhorou o apetite por risco nos mercados emergentes, beneficiando o real.
Trump sinaliza flexibilização em meio a alertas
O movimento ocorre em um dia em que o jornal *The Washington Post* publicou que assessores do ex-presidente o alertaram sobre o risco de escassez de munição militar caso os EUA decidam atacar o Irã. A reportagem, citando fontes próximas ao republicano, detalha que analistas militares apresentaram a Trump projeções sobre o esgotamento rápido de estoques de munições de precisão em um conflito prolongado.
Em resposta, Trump negou a informação através de sua rede social Truth Social. "É fake news. Nós temos munição mais do que suficiente. Se tivéssemos que ir à guerra, venceríamos facilmente", afirmou o candidato à presidência. A combinação do alerta geopolítico com a sinalização de moderação nas tarifas criou um ambiente misto para os mercados.
Contexto do "tarifaço" e impacto na economia
A proposta original de Trump, que previa tarifas massivas sobre importações de diversos países, incluindo a China e aliados dos EUA, era vista como uma grande ameaça ao comércio global e vinha pressionando as moedas de economias exportadoras, como o Brasil. A revisão sinalizada, ainda sem detalhes concretos, sugere a adoção de um plano mais gradual ou com exceções setoriais.
O índice Ibovespa, principal da bolsa brasileira, também reagiu positivamente, subindo 1,8% e fechando aos 142.560 pontos. Analistas ouvidos pelo G1 avaliam que o alívio é momentâneo e que os mercados seguirão voláteis, acompanhando de perto o desenrolar das propostas de política externa e comercial de Trump durante a campanha eleitoral americana.
O cenário futuro para o câmbio dependerá da confirmação e dos detalhes da revisão tarifária, além da evolução das tensões geopolíticas mencionadas no relatório. O Banco Central não se manifestou sobre os movimentos do dia, mantendo o habitual monitoramento do mercado.
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