Dois PMs são presos por suspeita de envolvimento na morte de mototaxista no TO
Corpo da vítima foi encontrado dois meses após ela denunciar suposto abuso de poder ao Ministério Público.
Os policiais militares Devany Gomes dos Santos e Cláudio Roberto Nunes Gomes tiveram a prisão temporária decretada pela Justiça do Tocantins nesta terça-feira (10) e cumprida nesta quarta-feira (11). A decisão, do juiz Nilson Afonso da Silva, tem validade de 30 dias. Os militares são investigados pela suspeita de envolvimento na morte do mototaxista Jefferson Lima Borges, de 25 anos.
O corpo de Jefferson foi encontrado em setembro de 2025, às margens da rodovia TO-181, em Sandolândia. A morte ocorreu aproximadamente dois meses após o jovem ter denunciado um suposto abuso de poder de policiais militares ao Ministério Público do Tocantins (MPTO). A Polícia Militar informou, à época, que os investigados haviam sido afastados de suas funções.
Indícios apontados pela investigação
Segundo a decisão judicial, a investigação policial apontou indícios de que os militares teriam monitorado a vítima, seguido seus deslocamentos e participado diretamente da execução. O documento também cita a atuação dos PMs para "ocultar provas, inclusive mediante suposto extravio de arma funcional, formatação e substituição de aparelhos celulares e inconsistências relevantes nas versões apresentadas".
Um laudo pericial confirmou que um projétil retirado da vítima é compatível com arma funcional de um dos policiais. Por serem militares, eles devem cumprir a custódia no 4º Batalhão da Polícia Militar, conforme determinou o juiz.
Denúncia prévia de abuso de poder
Jefferson denunciou dois incidentes ao MPTO no dia 15 de julho de 2025. O primeiro teria ocorrido no final de junho, durante uma abordagem em que relatou ter sido tratado com truculência e ameaças. O segundo aconteceu na noite anterior ao seu depoimento, quando foi abordado pela Força Tática, que exigiu o desbloqueio de seu celular para checar o IMEI e o questionou sobre pendências do IPVA, apreendendo o aparelho sem apresentar documentação.
Após a denúncia, o MPTO buscou documentos que justificassem a apreensão, mas não encontrou registros. A Polícia Militar de Araguaçu devolveu o celular, afirmando não haver termo de apreensão relacionado ao fato.
Andamento das investigações
Em novembro de 2025, a Polícia Civil cumpriu sete mandados de busca e apreensão em três quartéis da PM e contra quatro policiais militares. As investigações apontam que um dos soldados teria omitido informações ao registrar a ocorrência do corpo, não mencionando uma testemunha que viu a chegada de um tenente e um soldado em uma caminhonete prata ao local.
Conforme apurado, no dia em que o corpo foi encontrado, essa mesma testemunha relatou ter visto uma caminhonete com características idênticas trafegando em sentido contrário, instantes antes de encontrar Jefferson na rodovia. O g1 procurou a Polícia Militar para se posicionar sobre as prisões, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. O portal também tenta contato com as defesas dos presos.
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