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Chacina em Miracema do Tocantins: Justiça decreta prisão de 23 PMs suspeitos
Segurança Pública

Chacina em Miracema do Tocantins: Justiça decreta prisão de 23 PMs suspeitos

Sete pessoas foram mortas em fevereiro de 2022 após a morte de um sargento da PM; investigação aponta represálias.

Redação
Redação

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11 de maio de 2026 ·

A morte do sargento da Polícia Militar Anamon Rodrigues de Sousa, em fevereiro de 2022, desencadeou uma série de crimes violentos em Miracema do Tocantins, que resultaram em outras seis mortes. O caso, conhecido como Chacina de Miracema, levou a Justiça a decretar, na sexta-feira (8), a prisão preventiva de 23 policiais militares suspeitos de participação nos crimes.

As investigações apontam que a morte do sargento, ocorrida durante um confronto com suspeitos em uma plantação de mandioca, teria motivado ações de represália por parte de outros militares. Os crimes se intensificaram em um curto intervalo de tempo, entre os dias 4 e 5 de fevereiro de 2022.

Cronologia dos crimes

No dia 4 de fevereiro, o sargento Anamon foi morto. Horas depois, Valbiano Marinho da Silva, apontado como suspeito de participar do confronto, foi morto na casa da mãe. Na madrugada do dia 5, o pai e o irmão de Valbiano, Manoel Soares da Silva e Edson Marinho da Silva, foram executados dentro de uma delegacia, após o local ser invadido por 15 homens encapuzados.

Imagens e depoimentos indicam que viaturas começaram a circular próximas à delegacia por volta das 4h30, e os disparos ocorreram por volta das 6h29. Ainda no dia 5, quatro jovens foram abordados em um posto de combustível e levados para o loteamento Jardim Buriti. Três deles foram executados: Aprígio Feitosa da Luz, Gabriel Alves Coelho e Pedro Henrique de Sousa Rodrigues. Um quarto jovem conseguiu sobreviver.

Investigação aponta planejamento

A Polícia Civil afirma que os crimes não foram isolados. Segundo a investigação, houve planejamento prévio, monitoramento das vítimas e divisão de tarefas entre os envolvidos. Um dos principais elementos é a criação de um grupo de mensagens chamado "Operação Anamon", criado horas antes da invasão à delegacia.

Os policiais teriam utilizado viaturas e armamentos públicos para executar as ações. Há também indícios de estratégias para ocultar os crimes, como desligamento de celulares, adulteração de GPS de viaturas, destruição de provas, recolhimento de HDs de câmeras de segurança e alterações em sistemas de rastreamento de veículos oficiais. Entre os investigados, estão policiais de diferentes patentes, incluindo oficiais de alta hierarquia, como major, capitão e tenente-coronel.

Defesa dos militares

Os advogados Paulo Roberto e Antônio Ianowich, que atuam na defesa dos policiais, afirmaram à TV Anhanguera que acreditam na inocência dos clientes. Ianowich declarou que "não vê a possibilidade da participação deles em qualquer ilícito", mas que precisa ter acesso aos autos para se manifestar. Paulo Roberto destacou que a prisão não é contemporânea aos fatos e que "não tem necessidade de prender depois de três anos".

Posicionamento oficial

A Polícia Militar do Tocantins informou que tomou conhecimento da decisão e que acompanha o caso por meio da Corregedoria-Geral. A corporação afirmou que não compactua com desvios de conduta e que os envolvidos terão direito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa.

A Casa Militar também se manifestou, informando que o policial militar que atua no órgão foi afastado de todas as suas funções.

O Colegiado de Juízes da 1ª Vara Criminal de Miracema determinou, além da prisão preventiva, medidas cautelares como afastamento dos cargos, suspensão do porte de armas e proibição de contato com testemunhas e sobreviventes.

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