Camelos do Jalapão foram batizados no RN antes de transferência para o Tocantins
Animais, que encantaram internautas, eram usados em passeios turísticos e não retornarão à atividade.
Os cinco camelos — ou dromedários — que viralizaram ao serem fotografados descansando em uma fazenda próxima ao Jalapão, no Tocantins, foram batizados no Rio Grande do Norte antes da transferência. Os animais, que se chamam Sherazade, Natalina, Safira, Miva e Ceminha, eram usados em passeios turísticos pela empresa Dromedárias, que encerrou suas atividades.
Segundo a ex-proprietária Cleide Gomes, os camelos não deverão mais ser utilizados para fins turísticos. A Agência de Defesa Agropecuária do Tocantins (Adapec) informou que os animais estão sendo mantidos de forma regular, com toda a documentação sanitária, incluindo as Guias de Trânsito Animal (GTA), em ordem.
História da importação e reprodução
Os primeiros animais chegaram ao Brasil em 1998, importados da Ilha Canárias, na Espanha, por iniciativa do empresário Philippe Landry, marido de Cleide Gomes, falecido em 2018. A ideia surgiu após ele conhecer passeios com dromedários em viagens ao exterior e decidir replicar a atividade no Nordeste brasileiro através da empresa Dromedunas.
Conforme documentos da empresária, uma segunda importação ocorreu em 2000 para investir na reprodução, e outra em 2014, com fêmeas e machos. Naquele ano, a empresa somava 15 animais entre adultos e filhotes. A gestação da espécie dura 13 meses e, ao longo dos anos, alguns filhotes nasceram entre 2016 e 2019. No total, a Dromedunas chegou a ter 25 camelos domésticos.
Critérios para a realocação dos animais
Cleide Gomes estabeleceu critérios rígidos para selecionar os locais que receberiam os animais após o fim das atividades da empresa. "Para selecionar um parceiro, estabeleci três pré-requisitos: amar os dromedários; que os animais não devem exercer a mesma atividade e ter um espaço físico maior que o meu", explicou.
Além dos cinco enviados para o Tocantins, outros camelos foram encaminhados para Petrópolis, no Rio de Janeiro. Os primeiros que chegaram ao Brasil já morreram de velhice. Todos os animais receberam nomes de origem árabe, egípcia ou persa.
Diferenças entre espécies e contexto legal
O biólogo Claudio Montenegro explica que camelos e dromedários são parentes, mas se diferenciam pela quantidade de corcovas — os dromedários possuem apenas uma. Esses animais são originários da Ásia, África e Oriente Médio.
“Eles vieram para acervos de zoológicos e para fins de atração circense. Muitos resorts do Nordeste também importaram para oferecer passeios nas dunas”, afirmou o biólogo. Ele acrescentou que, apesar de a importação ser permitida no passado, a legislação atual proíbe a prática, restando no país apenas animais fruto dessas importações antigas.
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