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Baterista do TO ensaia no mato após vizinho chamar polícia por barulho

Baterista do TO ensaia no mato após vizinho chamar polícia por barulho

Músico de 27 anos encontrou refúgio na vegetação para tocar sem incomodar e viralizou nas redes sociais.

Redação
Redação

foco em informação atualizada e de interesse público

23 de abril de 2026 ·

Após ser surpreendido por uma viatura policial em sua porta por uma denúncia de perturbação do sossego, o baterista Junilson Mascarenhas, de 27 anos, decidiu levar seu instrumento para o meio do mato para ensaiar sem incomodar os vizinhos. A história dele viralizou após ser publicada nas redes sociais.

O músico, conhecido como Jay Batera nas redes sociais, contou que a bateria funciona como terapia para controlar a ansiedade. "É uma coisa que eu amo fazer", disse.

Trajetória musical começou na igreja

A trajetória do jovem começou aos 12 anos, em uma igreja presbiteriana em Palmas. Sem condições financeiras para comprar um instrumento, ele aprendeu os primeiros ritmos de forma autodidata, vendo outros músicos tocarem.

Em casa, montou uma bateria improvisada com baldes, bacias, latas de tinta e colheres de pau da mãe. "Eu lembro que eu fui nessa e rachava muito balde, bacia. Minha mãe às vezes ficava com raiva, mas ela, de certa forma, me incentivava", contou.

O primeiro instrumento profissional foi conquistado em 2019, após ele "ralar bastante" no emprego em um supermercado.

Polícia foi chamada sem diálogo prévio

Após se casar e mudar para Porto Nacional, na região central do estado, o músico teve que procurar um refúgio inusitado para seguir ensaiando. O episódio que mudou sua rotina ocorreu em 2025.

Segundo o baterista, um vizinho da rua, sem nunca ter tentado um diálogo prévio ou pedido para baixar o som, registrou uma queixa na delegacia. "Para gente, foi uma surpresa a polícia chegar na porta da nossa casa cinco horas da tarde. Foi uma coisa assim, ninguém veio bater no nosso portão antes e falar: 'olha, tá incomodando o barulho da bateria, será que podia abaixar um pouquinho ou poderia tocar outra hora?'. Ninguém nunca veio falar com a gente", contou.

Bateria como ferramenta terapêutica

Junilson conta que possui diagnóstico de autismo e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Para ele, a bateria vai muito além de um hobby: é sua principal ferramenta terapêutica para controlar crises de ansiedade.

"A única forma de me acalmar e parar um pouco com essa questão das crises que eu tenho, é tocando bateria. É minha terapia", explica.

Solução no mato e esperança no futuro

A mudança para o mato foi a solução encontrada para evitar novos problemas jurídicos. Ele conta que tem o apoio da esposa, que o acompanha sempre que pode. No silêncio da vegetação, ele encontra a liberdade para tocar, gravar seus vídeos e manter viva a esperança de que sua arte possa abrir portas para um futuro melhor.

Atualmente desempregado e enfrentando dificuldades para se inserir no mercado de trabalho, ele sobrevive realizando "bicos" em bares e restaurantes de Palmas.

Mari Silva é integrante do programa de estágio entre o Grupo Jaime Câmara e Universidade Federal do Tocantins (UFT), sob supervisão de Patrício Reis.

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