Ataque dos EUA deixou 100 mortos, incluindo civis, afirma ministro da Venezuela
Autoridades venezuelanas acusam operação militar americana de causar dezenas de vítimas civis em ação no mar do Caribe.
O ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil, afirmou nesta quarta-feira (7) que um ataque militar conduzido pelos Estados Unidos no mar do Caribe resultou em pelo menos 100 mortos, incluindo civis. A declaração foi feita durante coletiva de imprensa em Caracas e se refere a uma operação que, segundo fontes americanas, visava a captura de um petroleiro suspeito de violar sanções internacionais.
O incidente ocorreu em águas internacionais próximas à costa venezuelana. De acordo com o governo de Nicolás Maduro, a ação unilateral dos EUA constitui uma "violação flagrante da soberania e do direito internacional". A Venezuela convocou o embaixador americano para prestar esclarecimentos e anunciou que levará o caso ao Conselho de Segurança da ONU.
Perseguição e captura do petroleiro
Fontes da inteligência naval americana, que falaram sob condição de anonimato, confirmaram a operação, mas negaram que tenha causado vítimas civis. Elas descreveram a ação como uma "interceptação de alto risco" de um navio petroleiro que estava sob sanções por supostamente transportar combustível para a Coreia do Norte, violando resoluções do Conselho de Segurança da ONU.
A perseguição teria começado no início da madrugada e envolvido embarcações rápidas e helicópteros. "O alvo foi abordado após se recusar a parar para inspeção. Houve troca de tiros com a guarda armada do navio", detalhou uma fonte militar americana. A carga do petroleiro foi apreendida e a embarcação rebocada para um porto não divulgado.
Repercussão internacional e tensão crescente
O caso ocorre em um momento de elevada tensão geopolítica. Líderes europeus, em declarações separadas nesta semana, admitiram publicamente o risco de um conflito armado entre países membros da Otan, citando disputas por recursos e instabilidade em regiões estratégicas.
Analistas ouvidos pelo G1 apontam que o incidente no Caribe pode inflamar ainda mais as relações entre Washington e Caracas, que já passam por uma crise diplomática prolongada. "Este é o tipo de evento que pode escalar rapidamente, especialmente com a retórica acalorada de ambos os lados", avalia a professora de Relações Internacionais da USP, Ana Beatriz Pereira.
O governo dos Estados Unidos ainda não emitiu uma declaração oficial detalhada sobre as acusações de mortes de civis. O Departamento de Estado informou apenas que "toma todas as precauções para evitar perdas de vidas inocentes em operações de aplicação da lei internacional". A Casa Branca prometeu um comunicado completo após a conclusão de uma revisão interna do ocorrido.
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