Venezuela afirma manter 'soberania' em acordo petrolífero com os EUA
País diz que controle da Pdvsa segue intacto, apesar de novas licenças americanas para exploração.
O governo da Venezuela afirmou neste domingo (30) que mantém a "soberania" sobre seus recursos petrolíferos, em resposta ao anúncio de um novo acordo com os Estados Unidos para exploração de petróleo. A declaração foi feita pelo ministro do Petróleo, Pedro Tellechea, em nota oficial.
Segundo Tellechea, o acordo não altera o controle estatal sobre a Pdvsa, a empresa petrolífera venezuelana. "A Pdvsa continua sendo 100% estatal. As licenças americanas são operacionais, não cedem propriedade", afirmou o ministro.
Novas licenças americanas
Na sexta-feira (28), o Departamento do Tesouro dos EUA emitiu novas licenças que permitem que empresas americanas retomem operações limitadas na Venezuela, após um período de sanções. As licenças autorizam a Chevron a expandir suas atividades no país, mas com restrições claras.
Especialistas apontam que o acordo é uma tentativa de Washington de reduzir a dependência de outros fornecedores de petróleo. "É um movimento pragmático, mas que não significa um reatamento completo das relações", analisa o cientista político Ricardo Salles, da USP.
Contexto histórico
As sanções americanas contra a Venezuela foram impostas em 2019, após o governo de Nicolás Maduro ser acusado de fraudar as eleições. Desde então, a produção de petróleo no país caiu de 3 milhões para cerca de 700 mil barris por dia.
O acordo atual pode aumentar a produção em até 200 mil barris por dia nos próximos meses, segundo estimativas do setor. No entanto, analistas alertam que a infraestrutura obsoleta e a falta de investimentos são desafios significativos.
Reações e próximos passos
A oposição venezuelana criticou o acordo, alegando que ele fortalece o governo Maduro sem contrapartidas democráticas. Já o governo americano afirma que as licenças incluem cláusulas que permitem revisão a qualquer momento.
O ministro Tellechea garantiu que a Venezuela cumprirá os termos do acordo, mas reforçou que "nenhum contrato afetará a soberania nacional". A expectativa é que as primeiras operações comecem em até 60 dias, sujeitas a aprovações técnicas.
O acordo será monitorado de perto pela comunidade internacional, que vê no movimento uma possível mudança na política externa americana para a região.
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