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Tremor de 2,8 no Tocantins é comum e não causa danos, diz RSBR
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Tremor de 2,8 no Tocantins é comum e não causa danos, diz RSBR

Abalo registrado entre Cariri do Tocantins e Gurupi não foi sentido por moradores; estado já teve tremor de 3,4 em 2022.

Redação
Redação

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24 de maio de 2026 ·

Um tremor de terra de magnitude 2,8 foi registrado na madrugada da última quinta-feira (21) entre os municípios de Cariri do Tocantins e Gurupi, na região sul do estado. De acordo com a Rede Sismográfica Brasileira (RSBR), o evento não teve relatos de moradores que tenham sentido o abalo, nem registros de danos materiais.

Segundo a RSBR, tremores de baixa magnitude, como o registrado no interior do estado, são relativamente comuns e ocorrem quase todas as semanas em diferentes regiões do país. O sismo foi analisado pelo Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB). A RSBR é coordenada pelo Observatório Nacional (ON/MCTI) e conta com o apoio do Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM).

Histórico de tremores no Tocantins

Apesar da baixa intensidade do evento recente, o Tocantins já registrou tremores mais fortes. Em dezembro de 2022, um tremor de magnitude 3,4, com duração de 45 segundos, foi registrado no município de Talismã, também no sul do estado. Esse é considerado o abalo mais forte já registrado no Tocantins.

Na ocasião, moradores relataram um barulho semelhante ao de um trovão, seguido de vibrações que fizeram portas, janelas e o chão tremerem. Outro evento significativo ocorreu em agosto de 2019, quando um tremor de magnitude 3,1 foi registrado em Ipueiras, sendo sentido também em cidades vizinhas como Santa Rosa do Tocantins e Silvanópolis. A sensação, segundo relatos, foi semelhante à passagem de um caminhão pesado.

Por que tremores de baixa magnitude não causam danos?

Especialistas da RSBR explicam que tremores com magnitude abaixo de 4,0 dificilmente causam rachaduras ou estragos em casas, mesmo nas mais simples. A população começa a sentir os abalos a partir da magnitude 2,5, percebendo vibrações, barulhos ou objetos se movendo, mas a força não é suficiente para derrubar prédios.

“Contudo, os sismos são fenômenos impossíveis de prever e não dá para dizer se as magnitudes podem aumentar. Por isso, contamos também com a contribuição da população, que pode reportar tremores sentidos por meio da nossa plataforma, o que ajuda no monitoramento”, afirma Bruno Collaço, sismólogo da RSBR.

Localização geológica e riscos

O Tocantins está localizado no centro de uma placa tectônica, o bloco de rocha que forma o continente. Segundo o especialista, essa posição geográfica garante mais segurança do que em países como Japão ou Chile, que ficam nas bordas dessas placas, onde os tremores costumam ser mais frequentes e intensos.

Mesmo assim, o risco não é zero. “Em 1955, o Brasil registrou um tremor de magnitude 6,2. O fato mostra que abalos mais fortes podem acontecer no país, mesmo longe das bordas das placas tectônicas”, informa o sismólogo.

Construções e vulnerabilidade

A engenharia civil praticada no Brasil é considerada resistente aos níveis de sismos registrados habitualmente no Tocantins. O estado encontra-se em uma zona de perigo baixo a moderado, conforme as diretrizes da norma ABNT NBR 15421, que regulamenta projetos de estruturas resistentes a sismos.

“O maior problema são as habitações populares e construções informais, que não foram projetadas com essas exigências em mente. Em um cenário de um eventual sismo de maior magnitude, essas construções ficariam vulneráveis, como já ocorreu antes no Ceará, em Minas Gerais e no Rio Grande do Norte”, conclui o especialista.

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