Professor descobre empréstimos fraudulentos de R$ 230 mil descontados do salário
Servidor público do Tocantins é vítima de golpe com documentos falsificados e continua pagando dívida que não contraiu.
O professor da rede estadual José Erisvaldo Barros descobriu, ao analisar seu contracheque, que está pagando dois empréstimos consignados que nunca solicitou. Os descontos mensais somam R$ 2.468,61 e, ao longo das 96 parcelas, totalizariam mais de R$ 230 mil. A fraude foi identificada em fevereiro de 2026.
José Erisvaldo, que leciona em duas escolas na região norte do Tocantins, foi informado por funcionários de uma agência bancária em Luzimangues, distrito de Porto Nacional, que uma conta e um empréstimo consignado foram abertos em seu nome em outra agência. "Isso não é certo, abrir uma conta no seu nome com um empréstimo tão alto desses. Eu ia passar o resto da vida pagando", declarou o professor à reportagem.
Golpistas presos em flagrante
A Polícia Civil do Tocantins prendeu dois homens no dia 27 de janeiro, quando tentavam sacar cerca de R$ 380 mil em uma agência bancária na região sul de Palmas usando documentos falsificados de servidores públicos. Segundo o delegado Evaldo de Oliveira, os criminosos se apresentam nas instituições financeiras com "documentação materialmente, mas ideologicamente falsa".
O foco da ação criminosa são servidores com margem consignável alta, o que permite aos golpistas acessar valores elevados em uma única operação. A polícia acredita que os suspeitos, naturais de Goiânia (GO), estejam envolvidos em outros crimes semelhantes pelo país.
Vítima busca solução
Mesmo após registrar boletim de ocorrência e acionar o Procon e o Governo do Estado, José Erisvaldo ainda não resolveu a situação e continua com os descontos em sua folha de pagamento. A Secretaria de Estado da Administração (Secad) emitiu uma nota orientando servidores vítimas de golpes a registrar BO, contestar a operação junto ao banco e acompanhar regularmente contracheques e dados financeiros.
A Secad esclareceu que casos dessa natureza são de responsabilidade das instituições financeiras, por se tratarem de relações privadas, e não do Estado.
Instituição financeira se pronuncia
O Sicoob, cooperativa de crédito envolvida no caso, informou que, ao tomar conhecimento, deu início ao processo de cancelamento da operação fraudulenta e ao ressarcimento dos valores indevidamente descontados. A instituição afirmou manter procedimentos rigorosos de segurança e colaborar com as autoridades para apuração do caso.
O delegado Evaldo de Oliveira destacou a complexidade de combater esse tipo de crime, pois os golpistas utilizam documentos reais emitidos em nome das vítimas, que muitas vezes só descobrem a fraude ao notar descontos irregulares em seus salários.
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